domingo, 27 de novembro de 2016

Brevidade da vida - Luto pela Rosy

         A vida é breve. Se pensarmos que o mundo possui milhares de anos, nós seres humanos temos apenas algumas dezenas de vidas e outros animais possuem apenas um dia de vida... a vida é breve. Contudo precisa ser vivida, considerando que é uma dádiva viver. Nossa reflexão se faz quando um ente querido ou colega de trabalho parte inesperadamente do nosso meio através da morte. Rosylane, ou Rosy, como era chamada em nosso meio, partiu assim. Era uma mãe, mulher, trabalhadora, simples e fraterna. Saiu do nosso meio sem tempo de despedida. Surgem inúmeras interrogações: Como pensar em palavras neste momento? Como pensar em consolar a família? Como entender os desígnios e permissões divinas, enquanto a mesma estava criando sua filha e família? Como pensar que Deus a levou? E aqueles e aquelas que estavam sob sua responsabilidade, seu amor e afeto?
         É difícil para quem a viu nestes últimos dias e de repente perceber um fato concreto: não a veremos mais. Quantas Rosys partem assim na humanidade inteira, nas várias nações, cidades, nos vários bairros, nas várias ruas de calçamento, nas várias vilas, trabalhando nas diversas escolas, fábricas, sendo mães e fazendo papel de mãe para os sobrinhos. Nossa! O luto é vácuo. Não há palavras que venham neste momento. Até mesmo a compreensão de Ressurreição, para quem é cristão, torna-se difícil para entender no presente momento de dor, perca, saudade e tristeza. Algum crente (quem crê) pode lançar a pergunta: Será que a pessoa morre por falta de orações dos colegas? Pode Deus esperar orações dos colegas para salvar os que são alvo do seu amor? Todavia, colocar a culpa em Deus também não é a solução só porque não entendemos. Muito menos é certo em momento de luto dizer: "isto foi vontade de Deus". Por causa destas frases e de muitas outras é que surgem tantos e tantas ateus e ateias, com os corações cheios de revolta por entenderem Deus como um tirano que faz nascer e morrer no momento do seu próprio desígnio deixando tristes as pessoas. 
             As perguntas egoístas surgirão em muitos âmbitos quando acontece uma morte no meio de convivência. Muitos perguntarão como será o trabalho? Será que tirarei férias, farei minhas consultas, meu labor ficará mais pesado com a ida desta ou deste colega de trabalho? Ao invés de perguntas, surgirão comentários bastante infelizes: "A empresa poderia investir numa estrutura, mas terá que pagar o FGTS d@ funcionári@ que acabou de falecer". "A pessoa me prejudicou tanto que faleceu e vou ficar impedido de tirar minhas férias agora". Que ruindade maquiavélica o ser humano possui dentro de si...nem ao menos respeita o luto e a pessoa que se foi e não possui o direito de se defender disto. 
          As indiferenças também serão transparecidas na convivência. Alguns ficarão tristes, entretanto não durarão muito tempo em seus lutos porque @ defunt@ não fez parte da sua vida diretamente. O sopro da vida passa por nosso meio e só percebemos por vultos, porque colabora com o ambiente limpo, ou faz uma atividade que contribui com a organização da instituição. Ficamos perplexos quando recebemos tal notícia que jamais esperaríamos. Depois volta tudo ao normal, passou, a pessoa foi embora, não se pode fazer mais nada, não se pode deixar de viver e sonhar. Portanto resta-nos seguir já que tal pessoa nem era tão próxima de mim. 
           Outros e outras são mais religiosas e falam mais sobre Deus, os seus desígnios, suas vontades incompreensíveis. Procuram salmos bíblicos para fortificar, ritos, cultos, missas, doutrinas para encontrar respostas e consolos acerca de uma perca tão ilógica, irracional e revoltante. Quanta tristeza sem consolo por uma ente querida que parte sem dizer um adeus, sem saudar um finalmente da vida. Nenhum livro bíblico do Antigo Testamento traz a resposta para a morte. Somente olhando para o Cristo na Cruz é que a morte tem a última palavra, ou seja, ali a morte é fadada a estagnar porque Jesus Cristo Crucificado a venceu quando ressuscitou no Terceiro Dia. A Ressurreição é algo que só se entende quando temos a experiência com Deus, Jesus Cristo, no Espírito Santo. Deus deixa em nós a centelha da eternidade ainda na vida, pois na morte é a nossa materialidade que desaparece por decomposição, entretanto a eternidade nos faz provar o céu e acolher esta morada já reservada para nós. É preciso que tenhamos a experiência com a transcendência, morrendo para as materialidades que nos decompõe logo em vida para que, na brevidade possamos aspirar a eternidade.
         Podem até existir alguns que enveredem pelo existencialismo ceticista, sem crença na vida após a morte. Mas não deixam de ter sentimentos afetuosos e reflexões sobre a vida que desaparece do meio de trabalho através da morte. A dor, o sofrimento, tristeza, enfermidade, luto, são substâncias ontológicas em todo ser humano.
         Refletir sobre a morte não é buscar respostas, mas contemplar o acontecimento e pensar sobre a vida, o que estamos fazendo, vivendo, o que iremos guardar do que o ente querido passou para nós. Para os que têm uma fé embasada, madura e firme, tal realidade é vista e encarada de outra forma. Não é perguntando por motivos divinos sobre a morte que o ser humano encontrará seus consolos. O ser humano precisa descobrir que a morte não é derrota, fracasso, mas parte de um ciclo vital que fala e ensina bastante através do drama. 
         Aprendamos com a morte da Rosy, do José, Joaquim, Maria, Teresa, Joana, e tantos outros. Morramos para o que nos degrada e ressuscitemos para as coisas imperecíveis do céu. 

Abraço fraterno,
Paz e Bem. 
              

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