quarta-feira, 16 de julho de 2025

Reflexão sobre a liturgia diária - 16 de julho de 2025

 Zc 2, 14-17/ Lc 1, 46-55/ Mt 12, 46-50    

14
"Rejubila, alegra-te, cidade de Sião,
eis que venho para habitar no meio de ti,
diz o Senhor.
15
Muitas nações se aproximarão do Senhor, naquele dia,
e serão o seu povo.
Habitarei no meio de ti,
e saberás que o Senhor dos exércitos me enviou a ti.
16
O Senhor entrará em posse de Judá,
como sua porção na terra santa,
e escolherá de novo Jerusalém.
17
Emudeça todo mortal diante do Senhor,
ele acaba de levantar-se de sua santa habitação".
Palavra do Senhor.

Salmo responsorial
Lc 1,46-47.48-49.50-51.52-53.54-55 (R. 49 ou:)
R. O Poderoso fez por mim maravilhas, e Santo é o seu nome.

Ou: Bendita sejais, ó Virgem Maria;
        trouxestes no ventre a Palavra eterna!
46       A minh'alma engrandece ao Senhor, *
47
e se alegrou o meu espírito em Deus, meu Salvador, R.
48
pois, ele viu a pequenez de sua serva, *
eis que agora as gerações hão de chamar-me de bendita.
49
O Poderoso fez por mim maravilhas *
e Santo é o seu nome! R.
50
Seu amor, de geração em geração, *
chega a todos que o respeitam.
51
Demonstrou o poder de seu braço, *
dispersou os orgulhosos. R.
52
Derrubou os poderosos de seus tronos *
e os humildes exaltou.
53
De bens saciou os famintos *
e despediu, sem nada, os ricos. R.

54    Acolheu Israel, seu servidor, *fiel ao seu amor,

55
como havia prometido aos nossos pais, *
em favor de Abraão e de seus filhos, para sempre. R.

Aclamação ao Evangelho
Lc 11,28

R. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
V. Feliz quem ouve e observa a palavra de Deus!

EVANGELHO

E, estendendo a mão para os discípulos, Jesus disse:
"Eis minha mãe e meus irmãos".

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 12,46-50



Naquele tempo,
46
enquanto Jesus estava falando às multidões,
sua mãe e seus irmãos ficaram do lado de fora,
procurando falar com ele.
47
Alguém disse a Jesus:
"Olha! Tua mãe e teus irmãos estão aí fora,
e querem falar contigo".
48
Jesus perguntou àquele que tinha falado:
"Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?"
49
E, estendendo a mão para os discípulos, 
Jesus disse:
"Eis minha mãe e meus irmãos.
50
Pois todo aquele que faz a vontade do meu Pai,
que está nos céus,
esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe".
Palavra da Salvação.

Profecia da Encarnação (cristãos)
Deus vai habitar em sua cidade, Jerusalém, a filha de Sião. É uma profecia messiânica. A profecia messiânica se concretiza em Jesus, desde os anúncios do Antigo Testamento, passando a se concretizar na visita do Arcanjo Gabriel à Nossa Senhora. Todas as nações, não somente necessitam, mas desejam alguém que os salve. Por isso, eis a promessa de que todos acorrerão a Jerusalém. 

Adoremos ao Senhor que se lavanta e se mostra a todos nós. 

"Porque todo aquele que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, irmã e mãe" Mt 12, 50. 

sexta-feira, 18 de agosto de 2023

MCBRIEN. R. P. - Os papas - os pontífices: de são Pedro a João Paulo II (João II; Agapito I; Silvério; Vigílio; Pelágio I; João III; Bento I; Pelágio II; Gregório I "Magno" ; Sabiniano; Bonifácio III; Bonifácio IV; Deodato; Bonifácio V; Honório I)

 João II; 2 de janeiro de 533 - 5 de maio de 535. 

Foi o primeiro papa a adotar um nome diferente ao ser eleito, mas só porque seu nome original era do deus pagão Mercúrio. João II foi uma escolha de concessão mútua, pois tinha boas relações com o rei ostrogodo da Itália, Atalarico, e com o imperador oriental, Justiniano I. Aprovou um decreto dogmático do imperador afirmando que "um da Trindade sofreu na carne". Tal afirmação rebatia as heresias do monofisismo, nestorianismo. O imperador Justiniano I reconheceu a Santa Sé como a cabeça de todas as Igrejas. João II morreu em 8 de maio de 535 e foi enterrado no pórtico da Basílica de São Pedro. 

Agapito I; 13 de maio de 535 - 22 de abril de 536. 

Filho de um sacerdote assassinado por partidários do antipapa Lourenço em 502, Agapito I opunha-se com firmeza à prática pela qual um papa designava seu sucessor e, por isso, começou seu pontificado fazendo com que fosse queimada em público a condenação do antipapa Dióscoro de Alexandria pelo papa Bonifácio II. Proibiu os arianos de exercer o ministério sacerdotal. Ao fazer uma viagem a Constantinopla, Agapito I persuadiu o imperador a demitir o patriarca de Constantinopla, pois o mesmo era monofisista. O papa morreu em Constantinopla em 22 de abril de 536, e seu corpo foi levado a Roma em um caixão de chumbo e sepultado no pórtico da Basílica de São Pedro. 

Silvério; 2 de dezembro de 536- 11 de novembro de 537

Filho do Papa Hormisfas, Silvério foi o primeiro subdiácono eleito e um dos únicos papas a renunciar o pontificado: Ponciano em 235, Celestino V em 1294, Gregório XII em 1415 e, provavelmente, João XVIII em 1009. Abalada com a deposição do patriarca monofisista Antimo de Constantinopla pelo papa anterior, a imperatriz monofisista Teodora instou com o papa Silvério para que renunciasse em favor do diácono romano Vigílio, núncio apostólico para Constantinopla, com quem ela fizera o pacto de reintegrar Antimo em Constantinopla. Mas Silvério recusou. Foi chamado ao quartel do imperador Belisário, acusado de conspirar com os godos que então assediavam a cidade. Então foi despojado do seu pálio de papa, deportado para Lícia, e rebaixado à posição de monge. Foi levado à Palmaria, ilha do golfo de Gaeta, onde renunciou ao papado e sofreu maus tratos. Pouco tempo depois faleceu e seu corpo foi enterrado nesta mesma localidade. 

Vigílio; 29 de março - 7 de junho de 555

Foi um dos papas mais corruptos da história da Igreja, Núncio apostólico para Constantinopla, fez um pacto secreto com a imperatriz monofisista Teodora, para reintegrar o patriarca monofisista Antimo à sé de Constantinopla e repudiar o Concílio de Calcedônia (451). Foi Vigílio que mandou o papa ser raptado e deportado para a ilha de Palmaria. Causou bastantes tumultos na Igreja. Faleceu em Siracusa, mas seu corpo não foi levado para a Basílica de São Pedro, devido à sua impopularidade. 

Pelágio I; 16 de abril de 556 - 4 de março de 561. 

Pelágio não foi bem aceito pelo clero romano, visto que fora indicado pelo imperador Justiniano. Houve rumores que ele estava envolvido na morte do papa Vigílio. Afirmou solenemente a lealdade aos quatro primeiros concílios gerais da Igreja e jurou sobre a cruz e os Evangelhos que não fizera nenhum mal a Vigílio. Dedicou-se a aliviar as guerras na Itália, ao alívio da pobreza, da fome e ao resgate de prisioneiros de guerra. Reorganizou a parte administrativa e os bens patrimoniais da Igreja e combateu a corrupção clerical. Morreu idoso e seu corpo foi sepultado na Basílica de São Pedro. 

João III; 17 de julho de 561 - 13 de julho de 574. 

Foi o segundo papa a mudar de nome. Seu pontificado foi marcado por conflitos de dioceses com Roma e guerras políticas. Os lombardos partiram para o sul, João III fugiu para Nápoles. Mas depois que retornou a Roma, sua impopularidade estava instaurada. Morreu e foi sepultado no pórtico da Basílica de São Pedro. 

Bento I; 2 de junho de 575 - 30 de julho de 579. 

 Durante o seu pontificado, os lombardos continuaram a avançar para o sul e acabaram por assediar a própria Roma no verão de 579. Os apelos por ajuda ao imperador de nada adiantaram. Ele enviou pouquíssimas tropas. Enquanto o cerco se intensificava e a fome se espalhava, Bento morreu. Foi sepultado na sacristia da Basílica de São Pedro. 

Pelágio II; agosto de 579 - 7 de fevereiro de 590. 

Era de origem germânica. Durante o seu pontificado os visigodos converteram-se ao cristianismo na Espanha e surgiu mais uma controvérsia com Constantinopla sobre o uso pelo patriarca do título "patriarca ecumênico". Reconstruiu a Igreja de San Lorenzo. Foi vítima da peste trazida pelas enchentes no rio Tibre. Pelágio foi sepultado no pórtico da Basílica de São Pedro. 

Gregório I "Magno"   - 3 de setembro de 590 a 12 de março de 604. 

Segundo papa em toda a história a ser chamado de "Magno". Foi o primeiro monge a se tornar papa, foi um dos escritores mais influentes do papado. Sua regra pastoral, que definiu o ministério episcopal como de pastoreio de almas, serviu de manual para os bispos medievais. Preocupou-se em organizar a Igreja, distribuir comida para os famintos, focando no alívio aos necessitados. Trabalhou com muita diplomacia para dialogar com o imperador da época. Sua formação monástica contribuiu para a liturgia da Igreja. A inclusão do Pai-nosso, outras orações eucarísticas e prefácios lhes são atribuídas. Foi um exímio sintetizador de Agostinho de Hipona. Entrou para o grupo dos doutores da Igreja. Faleceu em 12 de março de 604. Seu corpo foi sepultado na Basílica de São Pedro, com o epitáfio: "cônsul de Deus". Comemoração: 3 de setembro. 

Sabiniano; 19 d outubro de 615 - 8 de novembro de 618. 

Foi um dos papas mais impopulares da história. Sabiniano inverteu a política de favorecer os monges e, em vez deles, promoveu o clero diocesano ou secular. Mas ele mudou também outra política gregoriana. Por causa do prolongamento das hostilidades com os lombardos e a volta da fome, Sabiniano manteve controle firme dos suprimentos de comida e vendeu-os ao povo em vez de doá0los como fez Gregório. Acusado de exploração, foi tão desprezado na morte como em vida. Foi sepultado secretamente na basílica de Latrão.  

Bonifácio III 19 de fevereiro - 12 de novembro de 607. 

Tinha um bom relacionamento com Gregório. No seu pontificado o imperador Focas desclarou que a Sé de Pedro era a cabeça de todas as igrejas, dando assim, um fim temporário ao uso pelo patriarca de Constantinopla. Seu corpo foi sepultado na Basílica de São Pedro. 

Bonifácio IV 25 de agosto de 608 - 8 de maio de 615. 

Converteu sua casa num mosteiro e, como Gregório, protegeu os monges e promoveu o monaquismo. Transformou o Panteão romano numa igreja dedicada à Santíssima Virgem Maria. Seu pontificado foi cons tantemente perturbado por fome, pestes e desastres naturais. Ele se dedicou, como Gregório, principalmente aos pobres. Seu corpo foi sepultado na Basílica de São Pedro. Comemoração: 25 de maio.  

Deodato, 19 de outubro de 615 - 8 de novembro de 618. 

Foi o primeiro sacerdote eleito papa desde João II em 533. Preferiu promover o clero diocesano em detrimento dos religiosos. Ordenou 14 sacerdotes. Roma sofreu um terremoto e uma peste, durante o seu pontificado. Deixou para os sacerdotes um ano de salário. Foi sepultado na Basílica de São Pedro. Comemoração: 8 de novembro. 

Bonifácio V

Sua eleição se opunha à facção de Gregório. Criou asilos nas igrejas. distribuiu aos pobres toda sua fortuna pessoal e ficou conhecido por sua compaixão e generosidade. E, da mesma forma que o antecessor, fez legados generosos a seu clero. No seu epitáfio há a descrição "generoso, sábio, puro, sincero e justo". 

 Honório I, 27 de outubro de 625 - 12 de outubro de 638. 

Honório foi um dos poucos papas condenados por um concílio ecumênico. Mas em concílios posteriores, a Igreja percebeu que ele não foi herege, mas imprudente na manifestação da doutrina. Transformou sua residência papal num mosteiro. No mais, dedicou-se à estruturação dos aquedutos em Roma, pôs fim ao cisma da igreja na Itália, restaurou a basílica de são Pedro, manteve o suprimento de grãos e fez a manutenção e melhoria das igrejas de Roma. Foi sepultado na Basílica de São Pedro com o epitáfio: "líder do povo simples"

segunda-feira, 12 de junho de 2023

MCBRIEN, Richard P. - Os papas: de são Pedro a João Paulo II (Hilário ; Simplício; Félix III; Gelásio I; Anastácio II; Símaco; Hormisdas; João I; Félix IV; Bonifácio II)

 Hilário - 19 de novembro de 461 - 29 de fevereiro de 468. 

Teve um pontificado tranquilo. Opôs-se à difusão do arianismo e obrigou o novo imperador, Antêmio, a jurar que jamais permitiria a existência de lugares de reunião de hereges na cidade de Roma. Convocou um concílio e decretou ser vedado a um bispo moribundo nomear seu sucessor. Construiu três capelas adjacentes à Basílica de Latrão, uma das quais consagrou ao Evangelista. Fundou um mosteiro em San Lorenzo fuori le Mura. Comemoração: 28 de fevereiro. 

Simplício - 3 de março de 468 - 10 de março de 483. 

O pontificado de Simplício viu o último dos imperadores do Ocidente, Rômulo Augústulo, ser sucedido por um general germano como rei da Itália e a criação de reinos bárbaros no restante do império ocidental. É irônico que seu pontificado, vindo logo depois do de leão Magno, também tenha sido marcado por outro desgaste do prestígio e da influência papal no Ocidente. Todavia, ao papa Simplício são atribuídos alguns projetos de construção em Roma, inclusive o primeiro exemplo de adaptação de um edifício público para ser usado como igreja. Estendeu a política de delegar autoridade pontifícia na Espanha. Comemoração: 10 de março. 

Félix III - 13 de março de 483 - 1º de março de 492. 

Filho de um sacerdote, Félix II era, ele próprio, viúvo com pelo menos dois filhos, de um dos quais descendia o papa Gregório Magno. Imediatamente após sua eleição, Félix exigiu a deposição do novo bispo monofisita de Alexandria e a observância do ensinamento do Concílio de Calcedônia sobre as duas naturezas de Cristo. Excomungou a Acácio. Suas relações com o Oriente e com os católicos do norte da África foram rígidas. Foi sepultado na basílica de São Paulo, perto do pai, da esposa e dos filhos. Comemoração: 1º de março.

 Gelásio I - africano, 1º de março de 492 - 21 de novembro de 496. 

Era humilde, dedicado à penitência e aos pobres em momentos de necessidade em Roma. Não realizou conciliação devido o nome de Acácio estar ligado à heresia do monofisismo. Deixou uma teoria de profunda influência na Idade Média: a dos dois poderes no mundo. Um é espiritual, centralizado no papa e o outro é temporal, centralizado no imperador.  É autor de cartas e tratados teológicos e deixou dezenas de fórmulas da missa preservadas no Sacramentário Leonino. Comemoração: 21 de novembro. 

Anastácio II - 24 de novembro de 497 - 19 de novembro de 498. 

Era filho de um sacerdote. Enviou uma carta conciliatória a Constantinopla visando uma restauração e unidade da Igreja, estando disposto a reconhecer sacramentos realizados por um herege chamado Acácio e fazendo confraternizações com Fotino, do partido deste herege. Morreu repentinamente e seu nome não se encontra nos martirólogos e não é venerado como santo. 

Símaco - 22 de novembro de 498 - 19 de julho de 514. 

Eleito enquanto ainda era diácono pela maioria dos sacerdotes romanos insatisfeita com a atitude conciliatória para com o Oriente adotada por seu antecessor, Anastácio II, Símaco enfrentou um cisma em Roma desde o início de seu pontificado. Um número menor de sacerdotes que preferiam a maneira de Anastácio tratar a questão reuniu-se no mesmo dia na Basílica de Santa Maria Maior e, com o apoio da maioria do Senado romano e da aristocracia romana, elegeu o arcipreste Lourenço. Os dois lados apelaram a Teodorico, o rei ostrogodo da IÇtália, embora ele próprio fosse ariano. Teodorico decidiu a favor do que foi ordenado primeiro e tinha maior apoio: Símaco. Seu pontificado foi conturbado devido às controvérsias com os arianos e a falta de autonomia como vigário de Cristo com seu oponente antipapa Lourenço. Após sucessões políticas, Símaco foi ganhando autonomia e autoridade, embora muitos ainda estavam distantes dele. Expulsou os maniqueus de Roma, resgatou os prisioneiros de guerra do norte da Itália, restabeleceu direitos primaciais da diocese de Arles e autoridade a um bispo fora da Itália, introduziu o Glória, construiu e restaurou muitas igrejas em Roma. Em conflitos com Constantinopla, o imperador convidou Símaco para presidir um concílio a fim de resolver questões doutrinais. Mas ele morreu antes do evento. Comemoração: 19 de julho. 

Hormisdas - 20 de julho de 514 - 6 de agosto de 523. 

Era casado e tinha um filho, Silvério, que mais tarde lhe sucedeu como papa. No fundo um pacificador, originário de rica família aristocrática, passou imediatamente a restaurar a harmonia na Igreja. Na frente interna, restabeleceu a comunhão com os partidários romanos do antipapa Lourenço e, na frente externa, extinguiu o Cisma Acaciano (484-519) que dividira o Oriente e o Ocidente por causa de uma diferença no modo de tratar o monofisismo. O papa Hormisdas teve uma certa façanha no Oriente porque ele buscou apoio de Justino I e seu sobrinho e sucessor, Justiniano. Comemoração: 6 de agosto. 

João I - 13 de agosto de 523 - 18 de maio de 526. 

Foi eleito papa já idoso e o primeiro dos papas a viajar para o Oriente contra a própria vontade porque sabia da mediação de conflitos que iria enfrentar em relação à doutrina dos arianos a mando de Teodorico, rei de Ravena. Foi bem recebido em Constantinopla. Celebrou cerimônias importantes do local e foi chamado para coroar o imperador. Mas como o intuito da viagem não foi conseguido por Teodorico (desobrigar os arianos a renunciar às suas doutrinas arianas), João I foi forçado a permanecer em Ravena. Aterrorizado pela possibilidade de castigo nas mãos do rei, o papa teve um colapso e faleceu. É venerado como mártir e foi homenageado em seu epitáfio como "vítima de Cristo". Comemoração: 18 de maio. 

Félix IV - 12 de julho de 526 - 22 de setembro de 530. 

Seu pontificado é mais conhecido pelo apoio a Cesário, bispo de Arles, contra os semipelagianos, grupo herético que afirmava ser a graça necessária para a salvação, mas que o primeiro gesto em direção à salvação é um ato de liberdade humana, sem a graça. Só depois disso, a graça entra em nosso progresso para a salvação. A maneira de "fazer" seu sucessor foi polêmica, pois fizera quando estava doente e isto não teve aprovação do Senado de Roma. Félix IV converteu dois templos pagãos em uma igreja dedicada aos santos Cosme e Damião. Comemoração: 22 de setembro. 

Bonifácio II - 22 de setembro de 530 - 17 de outubro de 532. 

Foi o primeiro papa de origem germânica. Teve uma eleição polêmica e, quando seu concorrente ao trono de Pedro faleceu, ele quis se vingar dos eleitores opositores, inclusive forçar a eleição de seu sucessor. Felizmente a tentativa foi fracassada pela intervenção do Senado romano. Praticou grande caridade num momento de fome em Roma. Não é venerado. 

sexta-feira, 9 de junho de 2023

MCBRIEN, Richard P. - Os papas: de são Pedro a João Paulo II (Zózimo; Bonifácio I; Celestino I; Sisto III; Leão I "Magno")

 Zósimo, grego, 18 de março de 417 - 26 de dezembro de 418. 

Foi um papa de temperamento impulsivo, politicamente ineficiente e culturalmente despreparado para a função. Dentre suas atitudes, revogou a condenação de Pelágio por Inocêncio I e readmitiu-o e a seu colega Celéstio à comunhão com a Igreja. Todavia, mais tarde, sob pressão dos bispos africanos, voltou atrás. Interferiu na excomunhão de um sacerdote africano sem bases sólidas para tal feito. Dois sacerdotes tentaram voltar a corte imperial de Ravena contra ele. Ao se preparar para excomungá-los, ele caiu de febre e, em pouco tempo depois faleceu. 

Bonifácio I - 28 de dezembro de 418 - 4 de setembro de 422 (28 ou 29 de dezembro de 418, na lista oficial do Vaticano). 

Ferrenho adversário do pelagianismo e vigoroso defensor da autoridade papal, Bonifácio I é o autor do axioma: "Não é lícito reconsiderar o que já foi decidido pela Sé Apostólica". Em sua forma latina mais popular, ele reza: Roma locuta est; causa finita est ("Roma falou; caso encerrado").  Havia uma disputa entre ele e o bispo Eulálio, portanto Bonifácio ficou na Basílica de São Pedro e Eulálio na Basília de Latrão. Mas Eulálio desobedeceu o imperador e provocou um tumulto civil em Roma, deixando o chefe de Estado enfurecido e legitimando Bonifácio como o bispo de Roma. 

Celestino I - 10 de setembro de 422 - 27 de julho de 432. 

Entre os fatos que ocorreram durante o pontificado de Celestino destaca-se o terceiro concílio ecumênico da Igreja, reunido em Éfeso, em 431. Significativo é que tenha sido o imperador Teodósio II, não o papa, quem convocou o concílio, ao qual o papa não compareceu e enviou três legados para representar os interesses da Igreja romana. as atas do concílio não foram submetidas ao papa para sua aprovação, mas, em cartas subsequentes, ele externou sua satisfação com o que o concílio realizara. Quase no fim de seu pontificado, Celestino intrometeu-se no debate entre Nestório de Constantinopla e Cirilo de Alexandria, a respeito do relacionamento entre a divindade e a humanidade de Jesus Cristo. Nestório afirmava que havia duas pessoas distintas em Jesus Cristo e que Maria era mãe da pessoa humana, Jesus de Nazaré, e não da Pessoa divina, o Filho de Deus. Cirilo, ao contrário, defendia que há uma unidade pessoal básica em Cristo, de modo que Maria pode ser chamada Mãe de Deus. Comemoração: 6 abril. 

Sisto III - 31 de julho de 432 - 19 de agosto de 440. 

Também conhecido como Xisto e ele próprio filho de um sacerdote, Sisto III agiu como mediador depois do Concílio de Éfeso e, ajudado por fundos da família imperial, dirigiu importante programa de reconstrução em Roma depois da invasão dos visigodos sob Alarico em 410. Fiel a seu ministério petrino de manter a unidade da Igreja, curando as feridas da separação e construindo pontes entre grupos separados, Sisto estendeu a mão a João de Antioquia, que o Concílio ecumênico de Éfeso havia deposto e excomungado. Sisto só pediu a João que aceitasse o concílio de Éfeso e repudiasse Nestório. Sisto reconstruiu o batistério de Latrão na forma octógona atual e reedificou por completo a Basílica Liberiana de Santa Maria Maggiore. O papa também persuadiu o imperador Valentiniano a contribuir com ornamentos de outro e prata para substituir os que os visigodos haviam saqueado das basílicas de São Pedro, São Paulo Fora-dos-muros e Latrão. Também fundou o primeiro mosteiro de Roma, o de São Sebastião, na via Ápia. Comemoração: 28 de março. 

Leão I "Magno" - 29 de setembro de 440 - 10 de novembro de 461. 

Eleito papa enquanto ainda era apenas diácono e estava fora de Roma em missão diplomática na Gália em nome da corte imperial, Leão é um dos únicos dois papas em toda a história da Igreja a ser chamado "Magno. Foi enérgico defensor da autoridade pontifícia e dos ensinamentos do Concílio de Calcedônia sobre a humanidade e a divindade de Jesus Cristo. As reivindicações de Leão pela autoridade suprema e universal do papa sobre a Igreja foram, de fato, enunciadas de modo tão eficaz, que seu pontificado constitui um momento decisivo na história do papado. Ele foi o primeiro papa a proclamar-se herdeiro de Pedro, o que, de acordo com a lei romana, significava que todos os direitos de deveres associados a Pedro perpetuavam-se em Leão. Ele foi o primeiro papa a proclamar-se herdeiro de Pedro, o que, de acordo com a lei romana, significava que todos os direitos e deveres associados a Pedro perpetuavam-se em Leão.  Comemoração: 10 de novembro

quinta-feira, 8 de junho de 2023

MCBRIEN, Richard P. - Os papas: de são Pedro a João Paulo II - Marcos; Júlio I; Libério; Dâmaso I; Sirício; Anastácio I; Inocêncio I

Marcos

     Durante seu pontificado extremamente breve, Marcos viu a corrente virar-se fortemente contra o ensinamento ortodoxo. 

Júlio I - 6 de fevereiro de 337 - 12 de abril de 352

    Tornou-se conhecido por sua convincente defesa do ensinamento do Concílio de Nicéia sobre a divindade de Jesus Cristo e dos bispos orientais, inclusive, em especial, de Atanásio de Alexandria. que permaneceram fiéis a esse ensinamento em face de determinada oposição, até mesmo com o risco de deposição de cargo e exílio. Convocou reuniões conciliares entre os bispos ocidentais em locais orientais. Era contra o arianismo. Comemoração, 12 de abril. 

Libério - 17 de maio de 352 - 24 de setembro de 366

    Libério é o primeiro papa que não está relacionado entre os santos, e em geral consideram-no um papa fraco. Em princípio, opô-se à condenação de Atanásio de Alexandria pelos arianos. Mais tarde, sob pressão dos bispos arianos, ele solicitou um concílio para resolver a disputa a respeito de Atanásio e da sé de Alexandria. Mandou emissários, mas não tinha expressividade e condenação de Atanásio foi reafirmada. Foi exulado por não concordar com os atos do concílio e cedeu à política do imperador Constâncio II, tornando-se subordinado a ele, chegando a assinar uma fórmula subordinacionista sobre o cristianismo, contrária a de Nicéia, onde o Filho é consubstancial ao Pai. Construiu uma Basílica Liberiana que no século V transformou-se na Santa Maria Maggiore. 

Dâmaso I - 304 - 384, papa de 1ª de outubro de 366 a 11 de dezembro de 384. 

    Um dos mais dinâmicos defensores do primado de Roma na Igreja primitiva, Dâmaso incentivou o culto dos mártires, restaurando e decorando seus túmulos, autorizou S. Jerônimo a compor outra tradução do Novo Testamento baseada no grego do original. Dâmaso não era convergente com a postura do seu antecessor, Libério. Era um papa político, pois se relacionava bem com a aristocracia romana e era hospitaleiro. Foi severo na repressão contra o arianismo e conseguiu a condenação do apolinarismo e da heresia de Macedônio. Foi um incansável no apoio ao primado de Roma, referindo-se a ela muitas vezes como "a Sé apostólica" e insistindo que o teste da ortodoxia de um credo é a aprovação papal. Dâmaso organizou os arquivos papais, instituiu o latim como língua litúrgica oficial principal em Roma e encarregou seu secretário, S. Jerônimo, de rever, com base no grego original, as traduções existentes do Novo Testamento. 

Sirício, dezembro de 384 - 26 de novembro de 399 (15, 22 ou 29 de dezembro de 384, na lista oficial do Vaticano). 

Foi o primeiro papa a publicar decretais, isto é, diretrizes legalmente obrigatórias formuladas no estilo dos editos imperiais. Sirício foi eleito papa por unanimidade, apesar da candidatura do antipapa Ursino. O imperador Valentiniano II ficou encantado com a demonstração de apoio a Sirício e confirmou oficialmente sua eleição, talvez para repelir qualquer oposição remanescente dos partidários de Ursino. Embora fosse tão contrário a heresias e outros movimentos dissidentes quanto seu antecessor, Dâmaso, Sirício insistiu no tratamento indulgente dos que se arrependiam. A pedido de Ambrósio, bispo de Milão, interveio com sucesso em um cisma em Antioquia e encerrou-o ao exortar o Concílio de Cesaréia a reconhecer como bispo Flaviano em vez de Evágrio. Embora comemorado como santo em séculos mais primitivos, seu nome foi omitido da primeira edição do Martirólogo romano por causa de seus conflitos pessoais com S. Jerônimo, expulso de Roma graças a sua anuência, e com S. Paulino de Nola, que se queixou da altivez do papa. Comemoração: 26 de novembro. 

Anastácio I

Mais conhecido pela condenação do grande teólogo do século III, Orígenes de quem ele nem sequer conhecia escritos, Anastácio foi também pai de seu sucessor, Inocêncio I. Ambos achavam Anastácio mais indulgente que Sirício com a prática do ascetismo estrito na Igreja. Jerônimo até afirmou que o pontificado de Anastácio foi abreviado porque Roma não merecia um bispo tão admirável. 

Inocêncio I - 22 de dezembro de 401 - 12 de março de 417. 

    Um dos mais ferrenhos defensores, na Igreja primitiva, das prerrogativas da Sé Apostólica em questões de doutrina e disciplina eclesiástica, Inocêncio I era, na verdade, filho de Anastácio I. É o primeiro caso de um filho suceder ao pai no pontificado. Seguiu a prática inusitada do papa Sirício de publicar decretais no estilo imperial. Estabeleceu leis para igrejas, a respeito do cânon da missa, ou oração eucarística, do sacramento da penitência, do crisma ou confirmação e do cânon da Sagrada Escritura. Também salientou que os bispos deviam reconhecer Roma como tribunal de apelação, ao qual tinham de encaminhar todas as "causas mais importantes". As relações do papa Inocêncio com a Igreja do Oriente não eram boas, visto que houveram alguns fatos desagradáveis: São João Crisóstomo foi deposto como bispo de Constantinopla e exilado. Jerusalém foi saqueada por bandidos e os orientais nada fizeram como prevenção contra esta atitude. Enfrentou uma tensão de invasão dos bárbaros no meio do seu pontificado. Comemoração: 28 de julho. 



quarta-feira, 7 de junho de 2023

MCBRIEN, Richard P. - Os papas: de são Pedro a João Paulo II (Marcelino; Marcelino I; Eusébio; Melquíades; Silvestre)

 Marcelino - 30 de junho de 296 - 25 de outubro de 304.

Durante a perseguição dicocleciana iniciada em 303, Marcelino obedeceu às ordens imperiais para entregar cópias da Sagrada Escritura e outros livros sagrados e oferecer incenso aos deuses. Alguns historiadores acham que ele foi deposto ou abdicou antes de morrer. seu nome foi realmente omitido da lista oficial dos papas. 

 Marcelo I - novembro de 306 - 16 de janeiro de 308

Marcelo é mais conhecido por sua atitude severa para com os cristãos que transigiram durante a perseguição - tão severa, que o novo imperador, Mexêncio, acabou banindo-o da cidade como perturbador da paz.

 Eusébio - grego - 18 de abril  - 21 de outubro de 310

O pontificado excessivamente breve de Eusébio foi dominado por completo pelo problema dos que transigiram na fé durante a perseguição diocleciana. Como seus antecessores, Eusébio adotou uma abordagem pastoral, oferecendo reconciliação total aos que se arrependessem de seus pecados e fizessem penitência apropriada. 

 Melquíades - africano, 2  de julho de 311 - 11 de janeiro de 314

Conhecido como Milcíades, seu pontificado foi no período de Constantino concedeu posição privilegiada à Igreja. Contudo, o pontificado de Melquíades fora marcado pela heresia donatista. Foi apelado a Constantino a convocação de um concílio par resolver tais questões. Porém ele faleceu antes. 

 Silvestre - 31 de janeiro de 314 - 31 de dezembro de 335

O pontificado de Silvestre I foi de quase 22 anos, durante os quais Constantino era imperador. Neste período também realizou-se o primeiro concílio ecumênico, com a presença de 250 bispos. Foi o concílio que definiu pela primeira vez a divindade de Jesus Cristo, ensinando que ele é da mesma natureza ou substância que Deus Pai. Conforme o autor do livro, o pontificado de Silvestre não teve brilho, mas o mesmo construiu duas grandes basílicas: a de São Pedro e a de São João de Latrão.

terça-feira, 6 de junho de 2023

MCBRIEN, Richard P. - Os papas: de são Pedro a João Paulo II - Félix I; Eutiquiano; Caio

 Félix I - 5 de janeiro de 269- 30 de dezembro de 274. 

Félix I é um dos papas menos conhecidos. O único assunto pelo qual recebeu atenção dos historiadores diz respeito à carta de um sínodo de Antioquia lhe enviou para comunicar a decisão de depor o bispo Paulo de Samosata por seus ensinamentos heréticos sobre a Trindade. Comemoração: 30 de maio. 

Eutiquiano - 4 de janeiro de 275 a 7 de dezembro de 283.

Nenhuma informação confiável sobre este papa ou seu pontificado resistiu à devastação provocada pela perseguição da Igreja pelo imperador Diocleciano, iniciada em 284, logo depois da morte de Eutiquiano. Comemoração: 7 de dezembro. 

Caio

O pontificado de Caio, mais corretamente conhecido como Gaio, ocorreu durante umcontínuo período de paz quando parece que a Igreja de Roma consolidou sua posição. Não há informação específica confiável sobre seu pontificado. Comemoração: 22 de abril.