segunda-feira, 12 de junho de 2023

MCBRIEN, Richard P. - Os papas: de são Pedro a João Paulo II (Hilário ; Simplício; Félix III; Gelásio I; Anastácio II; Símaco; Hormisdas; João I; Félix IV; Bonifácio II)

 Hilário - 19 de novembro de 461 - 29 de fevereiro de 468. 

Teve um pontificado tranquilo. Opôs-se à difusão do arianismo e obrigou o novo imperador, Antêmio, a jurar que jamais permitiria a existência de lugares de reunião de hereges na cidade de Roma. Convocou um concílio e decretou ser vedado a um bispo moribundo nomear seu sucessor. Construiu três capelas adjacentes à Basílica de Latrão, uma das quais consagrou ao Evangelista. Fundou um mosteiro em San Lorenzo fuori le Mura. Comemoração: 28 de fevereiro. 

Simplício - 3 de março de 468 - 10 de março de 483. 

O pontificado de Simplício viu o último dos imperadores do Ocidente, Rômulo Augústulo, ser sucedido por um general germano como rei da Itália e a criação de reinos bárbaros no restante do império ocidental. É irônico que seu pontificado, vindo logo depois do de leão Magno, também tenha sido marcado por outro desgaste do prestígio e da influência papal no Ocidente. Todavia, ao papa Simplício são atribuídos alguns projetos de construção em Roma, inclusive o primeiro exemplo de adaptação de um edifício público para ser usado como igreja. Estendeu a política de delegar autoridade pontifícia na Espanha. Comemoração: 10 de março. 

Félix III - 13 de março de 483 - 1º de março de 492. 

Filho de um sacerdote, Félix II era, ele próprio, viúvo com pelo menos dois filhos, de um dos quais descendia o papa Gregório Magno. Imediatamente após sua eleição, Félix exigiu a deposição do novo bispo monofisita de Alexandria e a observância do ensinamento do Concílio de Calcedônia sobre as duas naturezas de Cristo. Excomungou a Acácio. Suas relações com o Oriente e com os católicos do norte da África foram rígidas. Foi sepultado na basílica de São Paulo, perto do pai, da esposa e dos filhos. Comemoração: 1º de março.

 Gelásio I - africano, 1º de março de 492 - 21 de novembro de 496. 

Era humilde, dedicado à penitência e aos pobres em momentos de necessidade em Roma. Não realizou conciliação devido o nome de Acácio estar ligado à heresia do monofisismo. Deixou uma teoria de profunda influência na Idade Média: a dos dois poderes no mundo. Um é espiritual, centralizado no papa e o outro é temporal, centralizado no imperador.  É autor de cartas e tratados teológicos e deixou dezenas de fórmulas da missa preservadas no Sacramentário Leonino. Comemoração: 21 de novembro. 

Anastácio II - 24 de novembro de 497 - 19 de novembro de 498. 

Era filho de um sacerdote. Enviou uma carta conciliatória a Constantinopla visando uma restauração e unidade da Igreja, estando disposto a reconhecer sacramentos realizados por um herege chamado Acácio e fazendo confraternizações com Fotino, do partido deste herege. Morreu repentinamente e seu nome não se encontra nos martirólogos e não é venerado como santo. 

Símaco - 22 de novembro de 498 - 19 de julho de 514. 

Eleito enquanto ainda era diácono pela maioria dos sacerdotes romanos insatisfeita com a atitude conciliatória para com o Oriente adotada por seu antecessor, Anastácio II, Símaco enfrentou um cisma em Roma desde o início de seu pontificado. Um número menor de sacerdotes que preferiam a maneira de Anastácio tratar a questão reuniu-se no mesmo dia na Basílica de Santa Maria Maior e, com o apoio da maioria do Senado romano e da aristocracia romana, elegeu o arcipreste Lourenço. Os dois lados apelaram a Teodorico, o rei ostrogodo da IÇtália, embora ele próprio fosse ariano. Teodorico decidiu a favor do que foi ordenado primeiro e tinha maior apoio: Símaco. Seu pontificado foi conturbado devido às controvérsias com os arianos e a falta de autonomia como vigário de Cristo com seu oponente antipapa Lourenço. Após sucessões políticas, Símaco foi ganhando autonomia e autoridade, embora muitos ainda estavam distantes dele. Expulsou os maniqueus de Roma, resgatou os prisioneiros de guerra do norte da Itália, restabeleceu direitos primaciais da diocese de Arles e autoridade a um bispo fora da Itália, introduziu o Glória, construiu e restaurou muitas igrejas em Roma. Em conflitos com Constantinopla, o imperador convidou Símaco para presidir um concílio a fim de resolver questões doutrinais. Mas ele morreu antes do evento. Comemoração: 19 de julho. 

Hormisdas - 20 de julho de 514 - 6 de agosto de 523. 

Era casado e tinha um filho, Silvério, que mais tarde lhe sucedeu como papa. No fundo um pacificador, originário de rica família aristocrática, passou imediatamente a restaurar a harmonia na Igreja. Na frente interna, restabeleceu a comunhão com os partidários romanos do antipapa Lourenço e, na frente externa, extinguiu o Cisma Acaciano (484-519) que dividira o Oriente e o Ocidente por causa de uma diferença no modo de tratar o monofisismo. O papa Hormisdas teve uma certa façanha no Oriente porque ele buscou apoio de Justino I e seu sobrinho e sucessor, Justiniano. Comemoração: 6 de agosto. 

João I - 13 de agosto de 523 - 18 de maio de 526. 

Foi eleito papa já idoso e o primeiro dos papas a viajar para o Oriente contra a própria vontade porque sabia da mediação de conflitos que iria enfrentar em relação à doutrina dos arianos a mando de Teodorico, rei de Ravena. Foi bem recebido em Constantinopla. Celebrou cerimônias importantes do local e foi chamado para coroar o imperador. Mas como o intuito da viagem não foi conseguido por Teodorico (desobrigar os arianos a renunciar às suas doutrinas arianas), João I foi forçado a permanecer em Ravena. Aterrorizado pela possibilidade de castigo nas mãos do rei, o papa teve um colapso e faleceu. É venerado como mártir e foi homenageado em seu epitáfio como "vítima de Cristo". Comemoração: 18 de maio. 

Félix IV - 12 de julho de 526 - 22 de setembro de 530. 

Seu pontificado é mais conhecido pelo apoio a Cesário, bispo de Arles, contra os semipelagianos, grupo herético que afirmava ser a graça necessária para a salvação, mas que o primeiro gesto em direção à salvação é um ato de liberdade humana, sem a graça. Só depois disso, a graça entra em nosso progresso para a salvação. A maneira de "fazer" seu sucessor foi polêmica, pois fizera quando estava doente e isto não teve aprovação do Senado de Roma. Félix IV converteu dois templos pagãos em uma igreja dedicada aos santos Cosme e Damião. Comemoração: 22 de setembro. 

Bonifácio II - 22 de setembro de 530 - 17 de outubro de 532. 

Foi o primeiro papa de origem germânica. Teve uma eleição polêmica e, quando seu concorrente ao trono de Pedro faleceu, ele quis se vingar dos eleitores opositores, inclusive forçar a eleição de seu sucessor. Felizmente a tentativa foi fracassada pela intervenção do Senado romano. Praticou grande caridade num momento de fome em Roma. Não é venerado. 

sexta-feira, 9 de junho de 2023

MCBRIEN, Richard P. - Os papas: de são Pedro a João Paulo II (Zózimo; Bonifácio I; Celestino I; Sisto III; Leão I "Magno")

 Zósimo, grego, 18 de março de 417 - 26 de dezembro de 418. 

Foi um papa de temperamento impulsivo, politicamente ineficiente e culturalmente despreparado para a função. Dentre suas atitudes, revogou a condenação de Pelágio por Inocêncio I e readmitiu-o e a seu colega Celéstio à comunhão com a Igreja. Todavia, mais tarde, sob pressão dos bispos africanos, voltou atrás. Interferiu na excomunhão de um sacerdote africano sem bases sólidas para tal feito. Dois sacerdotes tentaram voltar a corte imperial de Ravena contra ele. Ao se preparar para excomungá-los, ele caiu de febre e, em pouco tempo depois faleceu. 

Bonifácio I - 28 de dezembro de 418 - 4 de setembro de 422 (28 ou 29 de dezembro de 418, na lista oficial do Vaticano). 

Ferrenho adversário do pelagianismo e vigoroso defensor da autoridade papal, Bonifácio I é o autor do axioma: "Não é lícito reconsiderar o que já foi decidido pela Sé Apostólica". Em sua forma latina mais popular, ele reza: Roma locuta est; causa finita est ("Roma falou; caso encerrado").  Havia uma disputa entre ele e o bispo Eulálio, portanto Bonifácio ficou na Basílica de São Pedro e Eulálio na Basília de Latrão. Mas Eulálio desobedeceu o imperador e provocou um tumulto civil em Roma, deixando o chefe de Estado enfurecido e legitimando Bonifácio como o bispo de Roma. 

Celestino I - 10 de setembro de 422 - 27 de julho de 432. 

Entre os fatos que ocorreram durante o pontificado de Celestino destaca-se o terceiro concílio ecumênico da Igreja, reunido em Éfeso, em 431. Significativo é que tenha sido o imperador Teodósio II, não o papa, quem convocou o concílio, ao qual o papa não compareceu e enviou três legados para representar os interesses da Igreja romana. as atas do concílio não foram submetidas ao papa para sua aprovação, mas, em cartas subsequentes, ele externou sua satisfação com o que o concílio realizara. Quase no fim de seu pontificado, Celestino intrometeu-se no debate entre Nestório de Constantinopla e Cirilo de Alexandria, a respeito do relacionamento entre a divindade e a humanidade de Jesus Cristo. Nestório afirmava que havia duas pessoas distintas em Jesus Cristo e que Maria era mãe da pessoa humana, Jesus de Nazaré, e não da Pessoa divina, o Filho de Deus. Cirilo, ao contrário, defendia que há uma unidade pessoal básica em Cristo, de modo que Maria pode ser chamada Mãe de Deus. Comemoração: 6 abril. 

Sisto III - 31 de julho de 432 - 19 de agosto de 440. 

Também conhecido como Xisto e ele próprio filho de um sacerdote, Sisto III agiu como mediador depois do Concílio de Éfeso e, ajudado por fundos da família imperial, dirigiu importante programa de reconstrução em Roma depois da invasão dos visigodos sob Alarico em 410. Fiel a seu ministério petrino de manter a unidade da Igreja, curando as feridas da separação e construindo pontes entre grupos separados, Sisto estendeu a mão a João de Antioquia, que o Concílio ecumênico de Éfeso havia deposto e excomungado. Sisto só pediu a João que aceitasse o concílio de Éfeso e repudiasse Nestório. Sisto reconstruiu o batistério de Latrão na forma octógona atual e reedificou por completo a Basílica Liberiana de Santa Maria Maggiore. O papa também persuadiu o imperador Valentiniano a contribuir com ornamentos de outro e prata para substituir os que os visigodos haviam saqueado das basílicas de São Pedro, São Paulo Fora-dos-muros e Latrão. Também fundou o primeiro mosteiro de Roma, o de São Sebastião, na via Ápia. Comemoração: 28 de março. 

Leão I "Magno" - 29 de setembro de 440 - 10 de novembro de 461. 

Eleito papa enquanto ainda era apenas diácono e estava fora de Roma em missão diplomática na Gália em nome da corte imperial, Leão é um dos únicos dois papas em toda a história da Igreja a ser chamado "Magno. Foi enérgico defensor da autoridade pontifícia e dos ensinamentos do Concílio de Calcedônia sobre a humanidade e a divindade de Jesus Cristo. As reivindicações de Leão pela autoridade suprema e universal do papa sobre a Igreja foram, de fato, enunciadas de modo tão eficaz, que seu pontificado constitui um momento decisivo na história do papado. Ele foi o primeiro papa a proclamar-se herdeiro de Pedro, o que, de acordo com a lei romana, significava que todos os direitos de deveres associados a Pedro perpetuavam-se em Leão. Ele foi o primeiro papa a proclamar-se herdeiro de Pedro, o que, de acordo com a lei romana, significava que todos os direitos e deveres associados a Pedro perpetuavam-se em Leão.  Comemoração: 10 de novembro

quinta-feira, 8 de junho de 2023

MCBRIEN, Richard P. - Os papas: de são Pedro a João Paulo II - Marcos; Júlio I; Libério; Dâmaso I; Sirício; Anastácio I; Inocêncio I

Marcos

     Durante seu pontificado extremamente breve, Marcos viu a corrente virar-se fortemente contra o ensinamento ortodoxo. 

Júlio I - 6 de fevereiro de 337 - 12 de abril de 352

    Tornou-se conhecido por sua convincente defesa do ensinamento do Concílio de Nicéia sobre a divindade de Jesus Cristo e dos bispos orientais, inclusive, em especial, de Atanásio de Alexandria. que permaneceram fiéis a esse ensinamento em face de determinada oposição, até mesmo com o risco de deposição de cargo e exílio. Convocou reuniões conciliares entre os bispos ocidentais em locais orientais. Era contra o arianismo. Comemoração, 12 de abril. 

Libério - 17 de maio de 352 - 24 de setembro de 366

    Libério é o primeiro papa que não está relacionado entre os santos, e em geral consideram-no um papa fraco. Em princípio, opô-se à condenação de Atanásio de Alexandria pelos arianos. Mais tarde, sob pressão dos bispos arianos, ele solicitou um concílio para resolver a disputa a respeito de Atanásio e da sé de Alexandria. Mandou emissários, mas não tinha expressividade e condenação de Atanásio foi reafirmada. Foi exulado por não concordar com os atos do concílio e cedeu à política do imperador Constâncio II, tornando-se subordinado a ele, chegando a assinar uma fórmula subordinacionista sobre o cristianismo, contrária a de Nicéia, onde o Filho é consubstancial ao Pai. Construiu uma Basílica Liberiana que no século V transformou-se na Santa Maria Maggiore. 

Dâmaso I - 304 - 384, papa de 1ª de outubro de 366 a 11 de dezembro de 384. 

    Um dos mais dinâmicos defensores do primado de Roma na Igreja primitiva, Dâmaso incentivou o culto dos mártires, restaurando e decorando seus túmulos, autorizou S. Jerônimo a compor outra tradução do Novo Testamento baseada no grego do original. Dâmaso não era convergente com a postura do seu antecessor, Libério. Era um papa político, pois se relacionava bem com a aristocracia romana e era hospitaleiro. Foi severo na repressão contra o arianismo e conseguiu a condenação do apolinarismo e da heresia de Macedônio. Foi um incansável no apoio ao primado de Roma, referindo-se a ela muitas vezes como "a Sé apostólica" e insistindo que o teste da ortodoxia de um credo é a aprovação papal. Dâmaso organizou os arquivos papais, instituiu o latim como língua litúrgica oficial principal em Roma e encarregou seu secretário, S. Jerônimo, de rever, com base no grego original, as traduções existentes do Novo Testamento. 

Sirício, dezembro de 384 - 26 de novembro de 399 (15, 22 ou 29 de dezembro de 384, na lista oficial do Vaticano). 

Foi o primeiro papa a publicar decretais, isto é, diretrizes legalmente obrigatórias formuladas no estilo dos editos imperiais. Sirício foi eleito papa por unanimidade, apesar da candidatura do antipapa Ursino. O imperador Valentiniano II ficou encantado com a demonstração de apoio a Sirício e confirmou oficialmente sua eleição, talvez para repelir qualquer oposição remanescente dos partidários de Ursino. Embora fosse tão contrário a heresias e outros movimentos dissidentes quanto seu antecessor, Dâmaso, Sirício insistiu no tratamento indulgente dos que se arrependiam. A pedido de Ambrósio, bispo de Milão, interveio com sucesso em um cisma em Antioquia e encerrou-o ao exortar o Concílio de Cesaréia a reconhecer como bispo Flaviano em vez de Evágrio. Embora comemorado como santo em séculos mais primitivos, seu nome foi omitido da primeira edição do Martirólogo romano por causa de seus conflitos pessoais com S. Jerônimo, expulso de Roma graças a sua anuência, e com S. Paulino de Nola, que se queixou da altivez do papa. Comemoração: 26 de novembro. 

Anastácio I

Mais conhecido pela condenação do grande teólogo do século III, Orígenes de quem ele nem sequer conhecia escritos, Anastácio foi também pai de seu sucessor, Inocêncio I. Ambos achavam Anastácio mais indulgente que Sirício com a prática do ascetismo estrito na Igreja. Jerônimo até afirmou que o pontificado de Anastácio foi abreviado porque Roma não merecia um bispo tão admirável. 

Inocêncio I - 22 de dezembro de 401 - 12 de março de 417. 

    Um dos mais ferrenhos defensores, na Igreja primitiva, das prerrogativas da Sé Apostólica em questões de doutrina e disciplina eclesiástica, Inocêncio I era, na verdade, filho de Anastácio I. É o primeiro caso de um filho suceder ao pai no pontificado. Seguiu a prática inusitada do papa Sirício de publicar decretais no estilo imperial. Estabeleceu leis para igrejas, a respeito do cânon da missa, ou oração eucarística, do sacramento da penitência, do crisma ou confirmação e do cânon da Sagrada Escritura. Também salientou que os bispos deviam reconhecer Roma como tribunal de apelação, ao qual tinham de encaminhar todas as "causas mais importantes". As relações do papa Inocêncio com a Igreja do Oriente não eram boas, visto que houveram alguns fatos desagradáveis: São João Crisóstomo foi deposto como bispo de Constantinopla e exilado. Jerusalém foi saqueada por bandidos e os orientais nada fizeram como prevenção contra esta atitude. Enfrentou uma tensão de invasão dos bárbaros no meio do seu pontificado. Comemoração: 28 de julho. 



quarta-feira, 7 de junho de 2023

MCBRIEN, Richard P. - Os papas: de são Pedro a João Paulo II (Marcelino; Marcelino I; Eusébio; Melquíades; Silvestre)

 Marcelino - 30 de junho de 296 - 25 de outubro de 304.

Durante a perseguição dicocleciana iniciada em 303, Marcelino obedeceu às ordens imperiais para entregar cópias da Sagrada Escritura e outros livros sagrados e oferecer incenso aos deuses. Alguns historiadores acham que ele foi deposto ou abdicou antes de morrer. seu nome foi realmente omitido da lista oficial dos papas. 

 Marcelo I - novembro de 306 - 16 de janeiro de 308

Marcelo é mais conhecido por sua atitude severa para com os cristãos que transigiram durante a perseguição - tão severa, que o novo imperador, Mexêncio, acabou banindo-o da cidade como perturbador da paz.

 Eusébio - grego - 18 de abril  - 21 de outubro de 310

O pontificado excessivamente breve de Eusébio foi dominado por completo pelo problema dos que transigiram na fé durante a perseguição diocleciana. Como seus antecessores, Eusébio adotou uma abordagem pastoral, oferecendo reconciliação total aos que se arrependessem de seus pecados e fizessem penitência apropriada. 

 Melquíades - africano, 2  de julho de 311 - 11 de janeiro de 314

Conhecido como Milcíades, seu pontificado foi no período de Constantino concedeu posição privilegiada à Igreja. Contudo, o pontificado de Melquíades fora marcado pela heresia donatista. Foi apelado a Constantino a convocação de um concílio par resolver tais questões. Porém ele faleceu antes. 

 Silvestre - 31 de janeiro de 314 - 31 de dezembro de 335

O pontificado de Silvestre I foi de quase 22 anos, durante os quais Constantino era imperador. Neste período também realizou-se o primeiro concílio ecumênico, com a presença de 250 bispos. Foi o concílio que definiu pela primeira vez a divindade de Jesus Cristo, ensinando que ele é da mesma natureza ou substância que Deus Pai. Conforme o autor do livro, o pontificado de Silvestre não teve brilho, mas o mesmo construiu duas grandes basílicas: a de São Pedro e a de São João de Latrão.

terça-feira, 6 de junho de 2023

MCBRIEN, Richard P. - Os papas: de são Pedro a João Paulo II - Félix I; Eutiquiano; Caio

 Félix I - 5 de janeiro de 269- 30 de dezembro de 274. 

Félix I é um dos papas menos conhecidos. O único assunto pelo qual recebeu atenção dos historiadores diz respeito à carta de um sínodo de Antioquia lhe enviou para comunicar a decisão de depor o bispo Paulo de Samosata por seus ensinamentos heréticos sobre a Trindade. Comemoração: 30 de maio. 

Eutiquiano - 4 de janeiro de 275 a 7 de dezembro de 283.

Nenhuma informação confiável sobre este papa ou seu pontificado resistiu à devastação provocada pela perseguição da Igreja pelo imperador Diocleciano, iniciada em 284, logo depois da morte de Eutiquiano. Comemoração: 7 de dezembro. 

Caio

O pontificado de Caio, mais corretamente conhecido como Gaio, ocorreu durante umcontínuo período de paz quando parece que a Igreja de Roma consolidou sua posição. Não há informação específica confiável sobre seu pontificado. Comemoração: 22 de abril. 

segunda-feira, 5 de junho de 2023

MCBRIEN, Richard P. - Os papas: de são Pedro a João Paulo II (Antero; Fabiano; Cornélio; Lúcio I; Estêvão I; Sisto II; Dinis)

 Antero - grego, 21 de novembro de 235 - 3 de janeiro de 2236. 

Seu pontificado durou menos de dois meses. 

 Fabiano - 10 de janeiro de 236 - 20 de janeiro de 250. 

Foi um dos papas mais respeitados e bem-dotados dos primeiros séculos cristãos. Com rara habilidade administrativa, Fabiano reorganizou o clero local, dividindo a crescente Igreja romana em sete distritos eclesiásticos, com um diácono, ajudado por um subdiácono e seis assistentes subalternos, encarregado de cada distritos. Também supervisionou numerosos projetos de construção nos cemitérios e providenciou para que os corpos do papa Ponciano e do antipapa Hipólito fossem trazidos de volta do exílio de Sardenha e enterrados decentemente em Roma. Comemoração: 20 de janeiro.

 Cornélio - março de 251 - junho de 253. 

Teve um pontificado marcado por conflitos de combate com as heresias da época. Sua eleição foi apoiada por outro bispo influente na Igreja chamado Cipriano. A eleição de Cornélio como sucessor de Fabiano levou mais de um ano. O clero romano adiou a eleição em vista da violenta perseguição sob o imperador Décio e porque diversos membros do clero, inclusive um importante candidato a papa, estavam na prisão. Apesar do apoio de Cipriano ao papa, surgiu certa animosidade entre esses dois importantes bispos da Igreja primitiva. Quando Cornélio procurou apoio para ser eleito papa contra a objeção de Novaciano, Cipriano levou tempo antes de finalmente dar esse apoio. 

Lúcio I - 25 de junho de 253 - 5 de março de 254. 

Foi banido de Roma pelo imperador Galo. Com a morte deste governante, veio em ascensão Valeriano, aparentemente favorável aos cristãos. Portanto Lúcio conseguiu voltar a Roma com outros cristãos exilados. Por ter sofrido pela fé no exílio, Lúcio é considerado confessor. Entretanto, não há provas de que tenha sido martirizado. Comemoração: 4 de março. 

Estêvão I - 12 de maio de 254 - 2 de agosto de 257. 

Estêvão é mais conhecido pela disputa teologicamente importante com Cipriano, bispo de Cartago, sobre os batizados por hereges e cismáticos tinham ou não de ser batizados ao entrarem na Igreja Católica ou a ela retornarem. 

Sisto II - grego, 30 de agosto de 257 - 6 de agosto de 258. 

Este papa é um dos mártires mais venerados da Igreja. Em 6 de agosto, enquanto ele estava sentado na cátedra episcopal pregando à congregação numa cerimônia litúrgica no cemitério particular, forças imperiais do imperador Valeriano entraram e decapitaram o papa e quatro diáconos no mesmo momento, outros dois diáconos foram executados mais tarde. S. Lourenço foi executado sete dias depois. O biógrafo de Cipriano também dá crédito ao papa Sisto II, descrevendo-o como "sacerdote e amante da paz".  O nome de Sisto II foi incluído na oração eucarística, ou cânon da missa, entre os dos papas Clemente e Cornélio. 

Dinis, 22 de julho de 260 - 26 de dezembro de 268

Dinis foi um dos papas mais importantes do século II, devido às atividades organizacionais e caridosas e ao esclarecimento da doutrina da Trindade. Sua eleição para papa atrasou-se quase dois anos por causa da severa perseguição dos cristãos pelo imperador Valeriano, que incluiu a execução de muitos presbíteros. Durante esse período, a Igreja romana foi governada pelos presbíteros restantes. A próxima eleição foi feita após a morte de Valeriano. Dinis restaurou a ordem da Igreja, atribuindo a diversos presbíteros e paróquias a responsabilidades pelas comunidades de culto e pelos cemitérios e estabeleceu novas unidades administrativas. Dinis era também conhecido como Dionísio de Roma. Em 260 o papa Dinis convocou um sínodo em Roma que condenou essas opiniões e estabeleceu o ensinamento cristológico tradicional da Igreja, mas está unido ao Deus de todos de maneira tal que a Trindade "divina e a sagrada doutrina da unicidade são preservadas em sua integridade". 

domingo, 4 de junho de 2023

Livro "Os papas: de são Pedro a João Paulo II" MCBRIEN, Richard P. - Zeferino; Calisto; Urbano I e Ponciano

 Zeferino 198/199-217 (199-217 na lista oficial do Vaticano).

    Relativamente se sabe sobre este 14º sucessor de Pedro. Teve pouca notabilidade e foi criticado por não se posicionar contra as heresias surgidas na época: marcionismo, montanismo, adocionismo, sabelianismo. Zeferino publicou uma fórmula de credo que enfatizava a divindade de Jesus Cristo e também a separação pessoal que o Filho tem do pai, mas, como a quase todos na época, ao papa faltava a terminologia para expor isso com clareza. Comemoração: 26 de agosto. 

Calisto, 217-222.

É o primeiro papa a ter o nome comemorado como mártir no mais antigo martirólogo da Igreja romana, Depositio Martyrum, depois de Pedro. Na juventude, Calisto foi escravo de um cristão que lhe montou um banco. Quando, para desespero de seus muitos clientes cristãos, o negócio falou, Calisto fugiu. Ao voltar, foi acusado de brigar em uma sinagoga no sábado e sentenciado a trabalhos forçados nas minas da Sardenha. Foi solto ao mesmo tempo que muitos outros escravos cristãos eram libertados graças aos vons préstimos de Márcia, a concubina cristã do imperador , e do papa Vitor I (189-198). Vítor o excluíra deliberadamente da lista que entregou a Márcia, mas Calisto persuadiu o governador a libertá-lo também. Quando retornou a Roma, o papa o mandou morar em Anzio com uma pensão mensal, mas o sucessor de Vítor, Zeferino, chamou-o de volta e nomeou-o seu diácono, com autoridade de supervisão sobre o clero de Roma e sobre o cemitério oficial da Igreja na via Ápia. Devido às limitações intelectuais e administrativas de Zeferino, Calisto exerceu enorme influência como diácono do papa e foi eleito para suceder-lhe. Hipólito, porém, recusou-se a aceitar a eleição e parece que procurou e conseguiu ser eleito como bispo por um grupo cismático, desse modo tornando-se o primeiro de 39 antipapas. Seu pontificado foi marcado pelas brigas com Hipólito porque este o acusava de frouxidão doutrinária em relação ao modalismo e moral, quando o mesmo admitia casamentos mais de uma vez, readimissão de hereges e cismáticos sem penitências prévias. Contudo as acusações eram injustas porque Calisto obviamente não era modalista e sua maneira de tratar os pecadores estava mais próxima de Jesus. O papa dizia que a Igreja tem de oferecer a reconciliação a quem quer que busque o perdão dos pecados cometidos depois do batismo. Consta que Calisto lançou as bases para as têmporas (dias de jejum e abstinência que ocorriam quatro vezes por ano em grupos de três), não mais observadas na Igreja Católica. Comemoração: 14 de outubro. 

Urbano I, 222-230

O pontificado de Urbano foi, em geral, tranquilo porque caiu no reinado de Alexandre Severo, quando não houve perseguições de cristãos. O cisma de Hipólito continuou durante o pontificado de Calisto, mas com menos intensidade. Não há registros das relações entre Urbano e Hipólito. Comemoração: 25 de maio. 

Ponciano, outubro de 235, papa de 21 de julho de 230 a 28 de setembro de 235. 

Ponciano foi o primeiro papa a abdicar da função papal. A única razão foi ter sido deportado pelo novo imperador anticristão, Maximino da Trácia, para trabalhos forçados nas minas da ilha da Sardenha, conhecida como ilha da morte, da qual poucos voltavam vivos. Ponciano não quis que houvesse um vácuo de liderança na Igreja romana. Segundo o catálogo Liberiano do século IV, Ponciano abdicou em 8 de setembro de 235, a primeira data da história papal registrada com precisão. Outro único fato pelo qual o pontificado de Ponciano ficou conhecido foi a aprovação formal pela Igreja romana da condenação de Orígenes, um dos primeiros grandes teólogos da Igreja primitiva, por Demétrio, bipos de Alexandria, em 230 ou 231. Supõe-se que Ponciano deva ter presidido o sínodo romano que aprovou a expulsão de Orígenes do Egito, de seu cargo de magistério e até do sacerdócio. Comemoração: 13 de agosto. 

11º Aniceto; 12º Sotero; 13º Eleutério; 14º Vítor I - Livro: Os Papas: os pontífices de são Pedro a João Paulo II

 11º Aniceto - sírio 155-166 (155-166 na lista oficial do Vaticano)

O 10º sucessor de Pedro foi bispo de Roma no período em que a cidade estava se tornando centro florescente de atividade cristã e atraía algumas das principais figuras da Igreja primitiva, inclusive o grande erudito sírio antiagnóstico, Hegesipo e Justino Mártir. Embora o Liber Pontificalis relate que Aniceto proibiu os clérigos de usar cabelo comprido, talvez ele seja mais bem-lembrado por suas discussões sérias porém amistosas com uma das figuras mais reverenciadas da Igreja primitiva, Policarpo, bispo de Esmirna, que fora discípulo de João Evangelista. Já com mais de 80 anos, Policarpo veio a Roma para exortar o papa a adotar a prática litúrgica comum na Ásia Menor de observar a festa da Páscoa cristã, no dia 14 do mês judaico de Nisan, independentemente do dia da semana em que caísse. Por preferirem o dia 14 de Nisan, esses cristãos eram conhecidos como quatordecimanos. Roma não celebrava nenhuma festa especial de Páscoa. A Igreja considerava todo domingo uma celebração da Ressurreição. Aniceto negou o pedido de Policarpo para que Roma harmonizasse sua prática com as das igrejas da Ásia Menor e insistiu que se sentia preso ao costume, seguido por seus predecessores, de celebrar a Ressurreição todos os domingos. Separaram-se em paz, depois de uma Missa presidida por Policarpo a convite de Aniceto. Foi talvez Aniceto quem ergueu na colina do Vaticano um santuário em memória de S. Pedro, conhecido dos visitantes na virada do século. Comemoração: 17 de abril. 

12º Sotero - 166-174 (166-175 na lista oficial do Vaticano) 

Foi o 11º sucessor de Pedro. Seu progresso mais significativo foi a introdução da Páscoa como festa litúrgica anual em Roma, pois até então a Igreja romana não tinha uma festa de Páscoa independente, mas, em vez disso, considerava todo domingo uma celebração da Ressurreição. O historiador Eusébio de Cesaréia preservou fragmentos de uma carta que Dionísio, bispo de Corinto, escreveu a Sotero para acusar o recebimento da carta do papa à comunidade coríntia e prometer que ela seria lida com regularidade nas assembleias da Igreja coríntia. Com base em outras cartas escritas por Dionísio, os historiadores modernos especulam que talvez Sotero expressasse sua desaprovação de certa frouxidão moral na comunidade coríntia, em especial com respeito à conduta sexual e à reintegração indulgente demais dos penitentes à comunhão com a Igreja, independentemente de seus pecados. A resposta subserviente de Dionísio talvez tivesse o intuito de acalmar os ânimos entre Roma e Corinto. O Liber Pontificalis relata que Sotero proibiu os monges não-ordenados de tocar as toalhas do altar ou oferecer incenso na igreja. Comemoração: 22 de abril. 

13º Eleutério - grego 174-189 (175-189 na lista oficial do Vaticano) 

12º sucessor de Pedro. Serviu como diácono do papa Aniceto. Recebeu a visita de Irineu de Lião com uma carta que expunha opiniões sobre a heresia do montanismo. Contudo Eleutério não percebeu o perigo do montanismo e não condenou as afirmações da respectiva heresia daquele momento. Eleutério é mencionado pela primeira vez como mártir no martirólogo pouco confiável por são Ado de Vienne. Comemoração: 26 de maio. 

14º Vitor I, africano, 189-198. 

Primeiro papa africano, 13º sucessor de Pedro. Ficou conhecido por sua firme solução da controvérsia sobre a celebração da Páscoa. Por insistência sua, foram realizados sínodos em Roma e em outros centros da Gália até a Mesopotâmia. Vitor excomungou o grupo dos quatrodecimanos e, consequentemente provocou uma onda de protesto. Também excomungou Teodoto de Bizâncio, chefe de um grupo de adocianistas que ensinavam que Jesus não era o verdadeiro Filho de Deus, mas só seu filho "adotivo", e destituiu Florino do sacerdócio por defender doutrinas gnósticas. Ao que se sabe, foi também o primeiro papa a ter relações com a casa imperial, dando à concumbina do imperador, ela própria cristã, uma lista de cristãos condenados às minas da Sardenha e, assim, assegurando que gossem libertados. Comemoração: 28 de julho. 

5º Evaristo; 6º Alexandre I; 7º Sisto I; 8º Telésforo; 9º Higino, 10º Pio I - Livro: "Os Papas: Os pontífices de Pedro a João Paulo II"

Evaristo, grego, c. 100-109 (97-105 na lista oficial do Vaticano)

       A tradição católica considera Evaristo o quarto sucessor de Pedro. Entretanto, as primeiras listas de sucessão diferem quanto à duração de seu pontificado e até sobre sua posição exata na lista. O historiador Eusébio de Cesaréia (c.339), por exemplo, mencionou que Evaristo serviu durante oito ou nove anos, enquanto o catálogo Liberiano do século IV calculou seu tempo em pouco menos de quatorze anos. O fato de estar nas primeiras listas de sucessão indica que ele desempenhou proeminente papel de liderança na Igreja romana, embora não como seu único bispo ou administrador, pois a estrutura monoepiscopal só chegou em Roma no século II, no pontificado de S. Pio I. Comemoração: 26 de Outubro. 


Alexandre I. - 109-116 (105-115 na lista oficial do Vaticano)

Considerado o quinto sucessor de Pedro.Liber Pontificalis, coletânea de biografias papais que começou a ser compilada no século VI, atribui a Alexandre a inserção da narrativa da instituição eucarística da Última Ceia no cânon da missa e também lhe dá o crédito de iniciar o costume de benzer as casas com sal e água benta. Esta mesma coletânea repete uma tradição romana de que Alexandre foi decapitado na via Nomentana, estrada que saía de Roma, mas é evidente que a tradição confundiu com um mártir do mesmo nome, cujo túmulo foi descoberto junto a essa estrada que saía de Roma, mas é evidente que a tradição o confundiu com um mártir do mesmo nome, cujo túmulo foi descoberto junto a essa estrada em 1855. 

Sisto I. - c. 116-125 (115-125 na lista oficial do Vaticano)

Sexto sucessor de Pedro, daí o nome latino Sixtus, embora seja mais corretamente conhecido como Xisto. O  Liber Pontificalis menciona que ele era filho de um sacerdote e, sem bases históricas, atribui-lhe um decreto de que os receptáculos sagrados só deviam ser tocados pelos sacerdotes e outro de que o povo devia entoar o Sanctus com o sacerdote. Comemoração: 3 ou 6 de abril. 

Telésforo, grego, 125-136 (125-136 na lista oficial do Vaticano)

Foi o sétimo sucessor de Pedro. Telésforo é o único papa do século II cujo martírio é historicamente comprovável. Embora as datas exatas de seu pontificado sejam incertas, as fontes primitivas concordam que durou onze anos.  Liber Pontificalis atribui-lhe erroneamente a inauguração de um jejum de sete semanas antes da Páscoa e o uso do Glória na missa do galo, mas essas práticas só começaram bem mais tarde. Telésforo observou a Páscoa no domingo, independentemente se caísse num dia da semana, conforme a Páscoa judaica. Comemoração: 05 de janeiro. 

Higino, grego, c. 138-142 (136-140 na lista oficial do Vaticano )

Foi o oitavo sucessor de Pedro.  Liber Pontificalis afirma que Higino era grego de Atenas e filósofo, contemporâneo de Justino Mártir. Irineu relata que, durante o pontificado de Higino, os mestres gnósticos Valentino e Cerdo vieram respectivamente do Egito e da Síria para Roma, sinal de que Roma estava se tornando importante centro cristão. Marcião, considerado pelos historiadores da Igreja um dos heresiarcas mais temíveis que a Igreja já enfrentou, por volta de 140 também veio a Roma, onde sofreu a influência de Cerdo. Higino foi considerado mártir, mas não há provas históricas que fundamentem essa crença. Comemoração: 11 de janeiro.

Pio I. c. 142-155 (140-155 na lista oficial do Vaticano)

Foi o primeiro dos papas relacionados a governar como bispo de Roma único ou exclusivo, sendo o nono sucessor de Pedro. Antes de seu pontificado, parece que a Igreja romana era governada por um conselho ou grupo de presbíteros ou bispos-presbíteros. Os que a tradição católica considera papas antes do pontificado de Pio I talvez fossem apenas os membros mais proeminentes desses grupos governantes. Quase nada se conhece do ponfiticado de Pio I, exceto que os gnósticos Valentino, Cerdo e Marcião empenharam-se para promover suas idéias na cidade, de modo específico a que afirmava ter sido o Antigo Testamento suplantado por completo pelo Novo Testamento, de modo que o cristianismo não é, de maneira nenhuma, a consumação do judaísmo, mas seu substituto. Acredita-se que Pio residiu um sínodo de presbíteros que excomungou Marcião em julho de 144. Comemoração: 11 de julho. 

São Clemente I c. 91-101 [88-97] na lista oficial do Vaticano.

         Conhecido como Clemente de Roma, ele foi o terceiro sucessor de Pedro. A carta I Clemente, o mais importante documento cristão do século I fora do Novo Testamento, é de provável autoria sua. Esta carta  foi enviada por volta de 96 pela Igreja de Roma à Igreja de Corinto, com instruções aos coríntios para reintegrarem os anciãos que haviam sido depostos e para exilar os jovens que instigaram a rebelião. É significativo que Clemente não apresentasse justificação para intervir nos assuntos pastorais da igreja coríntia, mas também não apelasse a nenhum privilégio romano. O caráter retórico da carta talvez indique que Clemente sabia que não possuía a autoridade reivindicada e, por isso, tinha de se apoiar em persuasão e exortação. (p.38-39)

        A forma da intervenção de Clemente parece seguir o modelo das relações da capital imperial de Roma com as províncias exteriores. De acordo com a prática do governo imperial, Clemente enviou com a carta três testemunhas para observarem e relatarem a restauração da paz. Louva o exército romano como modelo de obediência e exorta os cristãos a ser igualmente "obedientes... a nossos soberanos e governantes na terra", a quem Deus concedeu a supremacia. (p.39)

       Há uma tradição não-comprovada, porém atestada por Tertuliano (c. 225) e Jerônimo (c. 420), de que Clemente foi sagrado pelo próprio S. Pedro e como seu sucessor imediato. Se isso fosse verdade, Lino (c. 66-78) e Anacleto (c.79-c. 91) teriam de ser removidos ou reagrupados na lista de papas. Escritores dos séculos III e IV como Orígenes (254), Eusébio de Cesaréia (c.339) e Jerônimo consideraram-no o Clemente mencionado por Paulo como um dos colaboradores que "lutaram" com ele "pelo Evangelho" e "cujos nomes figuram no livro da vida" (Fl 4,3), uma espécie de registro do povo eleito de Deus (Ex 32, 32-33; Sl 69, 29; 139,16). 

A I Oração Eucarística menciona Clemente entre Cleto e Sisto I. Comemoração: 23 de novembro. (p.40)

sexta-feira, 2 de junho de 2023

Anacleto [Cleto], S. 79-91 (76-88 na lista oficial do Vaticano)

             O nome do segundo sucessor de Pedro, Anacleto, é na verdade Anencleto, adjetivo grego que significa "irrepreensível". Como era também nome de escravos, talvez indique origens sociais. Cleto, o nome com o qual ele é comemorado na I Oração Eucarística, depois do de Lino, é apenas forma abreviada de Anacleto. Algumas fontes primitivas atribuem, erroneamente, os dois nomes a dois papas diferentes. 

                É evidente que, em Roma, Anacleto exerceu posição de liderança pastoral, mas a estrutura monoepiscopal ainda não existia. Uma tradição não-confirmada diz que, durante seu pontificado, ele dividiu Roma em 25 paróquias. O historiador da Igreja, Eusébio de Cesaréia (+ c. 339), relata que Anacleto morreu no décimo segundo ano do reinado do imperador Domiciano (81-96). A tradição de que foi martirizado também não está comprovada. O antigo dia de sua comemoração, 26 de abril, foi cancelado durante a reforma do ano litúrgico que o papa Paulo VI fez em 1969. 

Lino, S. c. 66-78 (67-76 na lista oficial do Vaticano).

         Como foi só no fim do século II ou início do II que a tradição católica veio a considerar Pedro o primeiro bispo de Roma, nas listas de sucessão mais antigas Lino, não Pedro, consta como o primeiro papa. Muito pouco se sabe sobre Lino. Irineu de Lião (+ c. 200) e o historiador Eusébio de Cesaréia ( c. 339) identificam-no como o companheiro de Paulo que enviou saudações de Roma a Timóteo em Éfeso (2Tm 4,21), mas hoje os biblistas hesitam em fazê-lo. Fontes primitivas, inclusive Eusébio, afirmam que Lino ficou no pontificado cerca de doze anos, mas não estão seguros sobre as datas exatas ou sobre que função pastoral e autoridade exerceu. Devemos lembrar que a estrutura monoepiscopal do governo da Igreja ainda não existia em Roma nessa época. E nem havia um Colégio de Cardeais com a incumbência de eleger um novo papa. Durante quase todo o primeiro milênio cristão, o papa era eleito pelo clero e pelo povo de Roma, já que seu papel imediato e primordial era o bispo de Roma. 

            Não há provas para confirmar nem a lenda de que Lino foi martirizado e enterrado na colina do Vaticano perto de São Pedro, nem a tradição de que, em conformidade com  1Cor11,1-16, ele decretou que as mulheres mantivessem a cabeça coberta dentro da igreja. Seu nome encontra-se depois dos de Pedro e Paulo no antigo cânon da missa. Na I Oração Eucarística atual, seu nome segue-se aos dos doze apóstolos, mas o seu e os nomes de outros papas primitivos costumam ser citados entre colchetes e em tipo menor para designar o caráter opcional dessa parte da oração eucarística. 

Resenha do livro Os Papas: de são Pedro a João Paulo II (Pedro)

1 - Pedro, Apóstolo, S. Galileu, c. 64. 

        Principal apóstolo de Jesus, considerado pela tradição católica como primeiro papa, Pedro nasceu na cidade de Betsaida, no mar da Galiléia. O nome hebraico original de Pedro era sim´õn, traduzido em grego como Simão. Foi também traduzido como Simeão duas vezes no Novo Testamento: AT 15,14. Jesus deu-lhe um novo nome, a palavra aramaica para pedra, "kêpã", e é usado mais de 150 vezes nos Evangelhos e nos Atos dos Apóstolos. Esse nome transmitia que o evasivo de língua grega muito mais sobre a função de Pedro na Igreja que o evasivo Cefas. O nome duplo Simão Pedro ocorre cerca de vinte vezes no Novo Testamento, principalmente em João. 
        Que Pedro era casado e assim permaneceu mesmo depois de se tornar discípulo de Jesus fica claro pelo relato da cura da sogra de Pedro por Jesus e da referência de Paulo ao fato de Pedro e os outros apóstolos levarem as mulheres nas viagens apostólicas. A crença dos devotos de que os apóstolos, inclusive Pedro, "tenham posto de lado" as mulheres quando recebiam o chamamento de Jesus não tem base histórica. Origina-se, antes, da suposição errada e, em essência, anticristã de que o celibato é mais virtuoso que o matrimônio porque a intimidade sexual compromete, de certo modo a dedicação total a Deus e às coisas do espírito. 
        A tradição católica considera Pedro o primeiro papa, pela missão especial que recebeu de Jesus Cristo e por causa da posição excepcional de que gozou e do papel fundamental que desempenhou no grupo dos doze apóstolos. Foi o primeiro discípulo a ser chamado por Jesus, serviu de porta-voz dos outros apóstolos. Segundo a tradição de Paulo e Lucas (1Cor15,5; Lc 24,34), foi o primeiro a quem o Senhor apareceu depois de ressuscitar. Maria Madalena é a primeira testemunha da Ressurreição. Mas no Evangelho de Marcos é instruída pelo anjo: "Ide dizer aos discípulos e a Pedro" (Mc16,7) [p.32-33]. 
        Foi Pedro quem deu o passo decisivo ao ordenar o batismo do pagão Cornélio sem exigir primeiro a circuncisão. A influência de Pedro em áreas pagãs é obvia, embora Paulo relatasse que o ministério do primeiro pontífice seja dirigido aos circuncisos (p.33). 
        Os historiadores e biblistas concordam cada vez mais que Pedro foi a Roma e ali sofreu o martírio (por crucifixão, segundo o teólogo norte-africano Tertuliano). O chefe romano Clemente, considerado o terceiro sucessor de Pedro, c. 91-101, descreve as provações de Pedro em Roma (1 Clemente 5,4) e Eusébio de Cesaréia (c.339) relata uma história antiga sobre a crucifixão de Pedro ali afirma que Pedro e Paulo fundaram juntos a Igreja de Roma e inauguraram a sucessão de bispos (Adversus haereses 3,1,2; 3,3,3). No fim do século II, ou início do II, entretanto, Pedro foi identificado pela tradição como o primeiro bispo de Roma. Também, durante este mesmo século, alguns livros da literatura apócrifca são atribuídos a Pedro, inclusive o relato de sua morte: crucificado de cabeça pra baixo (p.33-34). 
        Pedro e o Primado: a base bíblica para associar o primado a Pedro concretiza-se em três textos: Mt16,13-19; Lc22,31,-32 e Jo 21,15-19. O fato de a designação de Pedro como "pedra" por Jesus ocorrer em três contextos diferentes nesses três Evangelhos formula uma questão sobre o ambiente original do próprio incidente. Os biblistas não têm certeza se a designação ocorreu durante o ministério de Jesus na terra ou depois da Ressurreição, com o que é chamado de "retrojeção" nos relatos do ministério tereno de Jesus. A concessão do poder das chaves do Reino sugere, certamente uma impressionante dimensão de autoridade devido ao simbolismo das chaves, mas não há indicação explícita de que a autoridade conferida destinava-se a ser exercida sobre outros, muito menos que era para ser monarquia absoluta. como foram os outros papas (p.34-35). 
        Os biblistas mencionam uma significativa trajetória de imagens relacionadas a Pedro e seu ministério como base independente para as reivindicações primaciais: 
  • Pescador (Lc5,10; Jo 21,1-14)
  • Pastor dos cordeiros de Cristo (Jo 21,15-17) 
  • Mártir cristão (Jo 13,36;1Pd 5,1)
  • Ancião que exorta outros anciãos (1Pd5,1) 
  • Proclamador da fé em Jesus como Filho de Deus (Mt16,16-17)
  • Receptor de uma revelação especial (Mc 9,2-8; 2Pd 1,16-18; At 1,9-16; 5,1-11; 10, 9-16; 12,7-9)
  • Guardião da fé verdadeira contra ensinamentos falsos e interpretações erradas (2Pd 1,20-21; 3,15-16) e, naturalmente, como a pedra sobre a qual a Igreja será edificada (Mt 16,18).     [p.35]
        A sucessão petrina: Os papas seguiram a Pedro na sucessão continuando o ministério de evangelizar o mundo e manter a unidade de toda a Igreja. Como sucessores dos apóstolos, todos os bispos são sinais de unidade e portadores da tradição apostólica. Também Hilário de Poitiers referiu-se a todos os bispos como "sucessores de Pedro e Paulo". Agostinho de Hipona salientou que, em Pedro, toda a Igreja, e não só Pedro, recebeu as chaves do Reino. Além disso, as igrejas ortodoxas afirmam que Roma não é a única sé em que Pedro exerceu seu primado apostólico e em que ocorreu uma sucessão episcopal.  Citam Antioquia como uma dessas outras sés apostólicas (p.36). 
            Ministério petrino: de acordo com a tradição católica, o ministério que o bispo de Roma exerce como vigário de Pedro é continuação do ministério de Pedro em benefício da Igreja universal. Como tal, é chamado ministério petrino, que se acredita ter sido conferido a Pedro por Jesus na Última Ceia, quando declarou: "Mas eu orei por ti, a fim de que tua fé não desapareça. E tu, quando tiveres voltado, confirma teus irmãos" (Lc 22,32). O ministério da liderança pastoral de Pedro é o modelo e a norma para o ministério petrino exercido pelo papa. Implica dar testemunho da fé, supervisionar o modo como as igrejas locais preservam e transmitem essa fé, dar ajuda e incentivo aos outros bispos em seu ministério local e universal de proclamar e defender a fé, falar em nome de toda a comunidade de igrejas locais que juntas constituem a Igreja universal (p.36-37). 
             Vigário de Pedro é o título mais tradicional conferido ao papa. O bispo de Roma não toma o lugar de Pedro. O papa é vigário d Cristo, na medida em que é bispo, não porque é papa. O título de Vigário de Pedro representa suas nítidas responsabilidades petrinas (p.37).