Principal apóstolo de Jesus, considerado pela tradição católica como primeiro papa, Pedro nasceu na cidade de Betsaida, no mar da Galiléia. O nome hebraico original de Pedro era sim´õn, traduzido em grego como Simão. Foi também traduzido como Simeão duas vezes no Novo Testamento: AT 15,14. Jesus deu-lhe um novo nome, a palavra aramaica para pedra, "kêpã", e é usado mais de 150 vezes nos Evangelhos e nos Atos dos Apóstolos. Esse nome transmitia que o evasivo de língua grega muito mais sobre a função de Pedro na Igreja que o evasivo Cefas. O nome duplo Simão Pedro ocorre cerca de vinte vezes no Novo Testamento, principalmente em João.
Que Pedro era casado e assim permaneceu mesmo depois de se tornar discípulo de Jesus fica claro pelo relato da cura da sogra de Pedro por Jesus e da referência de Paulo ao fato de Pedro e os outros apóstolos levarem as mulheres nas viagens apostólicas. A crença dos devotos de que os apóstolos, inclusive Pedro, "tenham posto de lado" as mulheres quando recebiam o chamamento de Jesus não tem base histórica. Origina-se, antes, da suposição errada e, em essência, anticristã de que o celibato é mais virtuoso que o matrimônio porque a intimidade sexual compromete, de certo modo a dedicação total a Deus e às coisas do espírito.
A tradição católica considera Pedro o primeiro papa, pela missão especial que recebeu de Jesus Cristo e por causa da posição excepcional de que gozou e do papel fundamental que desempenhou no grupo dos doze apóstolos. Foi o primeiro discípulo a ser chamado por Jesus, serviu de porta-voz dos outros apóstolos. Segundo a tradição de Paulo e Lucas (1Cor15,5; Lc 24,34), foi o primeiro a quem o Senhor apareceu depois de ressuscitar. Maria Madalena é a primeira testemunha da Ressurreição. Mas no Evangelho de Marcos é instruída pelo anjo: "Ide dizer aos discípulos e a Pedro" (Mc16,7) [p.32-33].
Foi Pedro quem deu o passo decisivo ao ordenar o batismo do pagão Cornélio sem exigir primeiro a circuncisão. A influência de Pedro em áreas pagãs é obvia, embora Paulo relatasse que o ministério do primeiro pontífice seja dirigido aos circuncisos (p.33).
Os historiadores e biblistas concordam cada vez mais que Pedro foi a Roma e ali sofreu o martírio (por crucifixão, segundo o teólogo norte-africano Tertuliano). O chefe romano Clemente, considerado o terceiro sucessor de Pedro, c. 91-101, descreve as provações de Pedro em Roma (1 Clemente 5,4) e Eusébio de Cesaréia (c.339) relata uma história antiga sobre a crucifixão de Pedro ali afirma que Pedro e Paulo fundaram juntos a Igreja de Roma e inauguraram a sucessão de bispos (Adversus haereses 3,1,2; 3,3,3). No fim do século II, ou início do II, entretanto, Pedro foi identificado pela tradição como o primeiro bispo de Roma. Também, durante este mesmo século, alguns livros da literatura apócrifca são atribuídos a Pedro, inclusive o relato de sua morte: crucificado de cabeça pra baixo (p.33-34).
Pedro e o Primado: a base bíblica para associar o primado a Pedro concretiza-se em três textos: Mt16,13-19; Lc22,31,-32 e Jo 21,15-19. O fato de a designação de Pedro como "pedra" por Jesus ocorrer em três contextos diferentes nesses três Evangelhos formula uma questão sobre o ambiente original do próprio incidente. Os biblistas não têm certeza se a designação ocorreu durante o ministério de Jesus na terra ou depois da Ressurreição, com o que é chamado de "retrojeção" nos relatos do ministério tereno de Jesus. A concessão do poder das chaves do Reino sugere, certamente uma impressionante dimensão de autoridade devido ao simbolismo das chaves, mas não há indicação explícita de que a autoridade conferida destinava-se a ser exercida sobre outros, muito menos que era para ser monarquia absoluta. como foram os outros papas (p.34-35).
Os biblistas mencionam uma significativa trajetória de imagens relacionadas a Pedro e seu ministério como base independente para as reivindicações primaciais:
- Pescador (Lc5,10; Jo 21,1-14)
- Pastor dos cordeiros de Cristo (Jo 21,15-17)
- Mártir cristão (Jo 13,36;1Pd 5,1)
- Ancião que exorta outros anciãos (1Pd5,1)
- Proclamador da fé em Jesus como Filho de Deus (Mt16,16-17)
- Receptor de uma revelação especial (Mc 9,2-8; 2Pd 1,16-18; At 1,9-16; 5,1-11; 10, 9-16; 12,7-9)
- Guardião da fé verdadeira contra ensinamentos falsos e interpretações erradas (2Pd 1,20-21; 3,15-16) e, naturalmente, como a pedra sobre a qual a Igreja será edificada (Mt 16,18). [p.35]
Ministério petrino: de acordo com a tradição católica, o ministério que o bispo de Roma exerce como vigário de Pedro é continuação do ministério de Pedro em benefício da Igreja universal. Como tal, é chamado ministério petrino, que se acredita ter sido conferido a Pedro por Jesus na Última Ceia, quando declarou: "Mas eu orei por ti, a fim de que tua fé não desapareça. E tu, quando tiveres voltado, confirma teus irmãos" (Lc 22,32). O ministério da liderança pastoral de Pedro é o modelo e a norma para o ministério petrino exercido pelo papa. Implica dar testemunho da fé, supervisionar o modo como as igrejas locais preservam e transmitem essa fé, dar ajuda e incentivo aos outros bispos em seu ministério local e universal de proclamar e defender a fé, falar em nome de toda a comunidade de igrejas locais que juntas constituem a Igreja universal (p.36-37).
Vigário de Pedro é o título mais tradicional conferido ao papa. O bispo de Roma não toma o lugar de Pedro. O papa é vigário d Cristo, na medida em que é bispo, não porque é papa. O título de Vigário de Pedro representa suas nítidas responsabilidades petrinas (p.37).
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