domingo, 4 de junho de 2023

Livro "Os papas: de são Pedro a João Paulo II" MCBRIEN, Richard P. - Zeferino; Calisto; Urbano I e Ponciano

 Zeferino 198/199-217 (199-217 na lista oficial do Vaticano).

    Relativamente se sabe sobre este 14º sucessor de Pedro. Teve pouca notabilidade e foi criticado por não se posicionar contra as heresias surgidas na época: marcionismo, montanismo, adocionismo, sabelianismo. Zeferino publicou uma fórmula de credo que enfatizava a divindade de Jesus Cristo e também a separação pessoal que o Filho tem do pai, mas, como a quase todos na época, ao papa faltava a terminologia para expor isso com clareza. Comemoração: 26 de agosto. 

Calisto, 217-222.

É o primeiro papa a ter o nome comemorado como mártir no mais antigo martirólogo da Igreja romana, Depositio Martyrum, depois de Pedro. Na juventude, Calisto foi escravo de um cristão que lhe montou um banco. Quando, para desespero de seus muitos clientes cristãos, o negócio falou, Calisto fugiu. Ao voltar, foi acusado de brigar em uma sinagoga no sábado e sentenciado a trabalhos forçados nas minas da Sardenha. Foi solto ao mesmo tempo que muitos outros escravos cristãos eram libertados graças aos vons préstimos de Márcia, a concubina cristã do imperador , e do papa Vitor I (189-198). Vítor o excluíra deliberadamente da lista que entregou a Márcia, mas Calisto persuadiu o governador a libertá-lo também. Quando retornou a Roma, o papa o mandou morar em Anzio com uma pensão mensal, mas o sucessor de Vítor, Zeferino, chamou-o de volta e nomeou-o seu diácono, com autoridade de supervisão sobre o clero de Roma e sobre o cemitério oficial da Igreja na via Ápia. Devido às limitações intelectuais e administrativas de Zeferino, Calisto exerceu enorme influência como diácono do papa e foi eleito para suceder-lhe. Hipólito, porém, recusou-se a aceitar a eleição e parece que procurou e conseguiu ser eleito como bispo por um grupo cismático, desse modo tornando-se o primeiro de 39 antipapas. Seu pontificado foi marcado pelas brigas com Hipólito porque este o acusava de frouxidão doutrinária em relação ao modalismo e moral, quando o mesmo admitia casamentos mais de uma vez, readimissão de hereges e cismáticos sem penitências prévias. Contudo as acusações eram injustas porque Calisto obviamente não era modalista e sua maneira de tratar os pecadores estava mais próxima de Jesus. O papa dizia que a Igreja tem de oferecer a reconciliação a quem quer que busque o perdão dos pecados cometidos depois do batismo. Consta que Calisto lançou as bases para as têmporas (dias de jejum e abstinência que ocorriam quatro vezes por ano em grupos de três), não mais observadas na Igreja Católica. Comemoração: 14 de outubro. 

Urbano I, 222-230

O pontificado de Urbano foi, em geral, tranquilo porque caiu no reinado de Alexandre Severo, quando não houve perseguições de cristãos. O cisma de Hipólito continuou durante o pontificado de Calisto, mas com menos intensidade. Não há registros das relações entre Urbano e Hipólito. Comemoração: 25 de maio. 

Ponciano, outubro de 235, papa de 21 de julho de 230 a 28 de setembro de 235. 

Ponciano foi o primeiro papa a abdicar da função papal. A única razão foi ter sido deportado pelo novo imperador anticristão, Maximino da Trácia, para trabalhos forçados nas minas da ilha da Sardenha, conhecida como ilha da morte, da qual poucos voltavam vivos. Ponciano não quis que houvesse um vácuo de liderança na Igreja romana. Segundo o catálogo Liberiano do século IV, Ponciano abdicou em 8 de setembro de 235, a primeira data da história papal registrada com precisão. Outro único fato pelo qual o pontificado de Ponciano ficou conhecido foi a aprovação formal pela Igreja romana da condenação de Orígenes, um dos primeiros grandes teólogos da Igreja primitiva, por Demétrio, bipos de Alexandria, em 230 ou 231. Supõe-se que Ponciano deva ter presidido o sínodo romano que aprovou a expulsão de Orígenes do Egito, de seu cargo de magistério e até do sacerdócio. Comemoração: 13 de agosto. 

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