quinta-feira, 8 de junho de 2023

MCBRIEN, Richard P. - Os papas: de são Pedro a João Paulo II - Marcos; Júlio I; Libério; Dâmaso I; Sirício; Anastácio I; Inocêncio I

Marcos

     Durante seu pontificado extremamente breve, Marcos viu a corrente virar-se fortemente contra o ensinamento ortodoxo. 

Júlio I - 6 de fevereiro de 337 - 12 de abril de 352

    Tornou-se conhecido por sua convincente defesa do ensinamento do Concílio de Nicéia sobre a divindade de Jesus Cristo e dos bispos orientais, inclusive, em especial, de Atanásio de Alexandria. que permaneceram fiéis a esse ensinamento em face de determinada oposição, até mesmo com o risco de deposição de cargo e exílio. Convocou reuniões conciliares entre os bispos ocidentais em locais orientais. Era contra o arianismo. Comemoração, 12 de abril. 

Libério - 17 de maio de 352 - 24 de setembro de 366

    Libério é o primeiro papa que não está relacionado entre os santos, e em geral consideram-no um papa fraco. Em princípio, opô-se à condenação de Atanásio de Alexandria pelos arianos. Mais tarde, sob pressão dos bispos arianos, ele solicitou um concílio para resolver a disputa a respeito de Atanásio e da sé de Alexandria. Mandou emissários, mas não tinha expressividade e condenação de Atanásio foi reafirmada. Foi exulado por não concordar com os atos do concílio e cedeu à política do imperador Constâncio II, tornando-se subordinado a ele, chegando a assinar uma fórmula subordinacionista sobre o cristianismo, contrária a de Nicéia, onde o Filho é consubstancial ao Pai. Construiu uma Basílica Liberiana que no século V transformou-se na Santa Maria Maggiore. 

Dâmaso I - 304 - 384, papa de 1ª de outubro de 366 a 11 de dezembro de 384. 

    Um dos mais dinâmicos defensores do primado de Roma na Igreja primitiva, Dâmaso incentivou o culto dos mártires, restaurando e decorando seus túmulos, autorizou S. Jerônimo a compor outra tradução do Novo Testamento baseada no grego do original. Dâmaso não era convergente com a postura do seu antecessor, Libério. Era um papa político, pois se relacionava bem com a aristocracia romana e era hospitaleiro. Foi severo na repressão contra o arianismo e conseguiu a condenação do apolinarismo e da heresia de Macedônio. Foi um incansável no apoio ao primado de Roma, referindo-se a ela muitas vezes como "a Sé apostólica" e insistindo que o teste da ortodoxia de um credo é a aprovação papal. Dâmaso organizou os arquivos papais, instituiu o latim como língua litúrgica oficial principal em Roma e encarregou seu secretário, S. Jerônimo, de rever, com base no grego original, as traduções existentes do Novo Testamento. 

Sirício, dezembro de 384 - 26 de novembro de 399 (15, 22 ou 29 de dezembro de 384, na lista oficial do Vaticano). 

Foi o primeiro papa a publicar decretais, isto é, diretrizes legalmente obrigatórias formuladas no estilo dos editos imperiais. Sirício foi eleito papa por unanimidade, apesar da candidatura do antipapa Ursino. O imperador Valentiniano II ficou encantado com a demonstração de apoio a Sirício e confirmou oficialmente sua eleição, talvez para repelir qualquer oposição remanescente dos partidários de Ursino. Embora fosse tão contrário a heresias e outros movimentos dissidentes quanto seu antecessor, Dâmaso, Sirício insistiu no tratamento indulgente dos que se arrependiam. A pedido de Ambrósio, bispo de Milão, interveio com sucesso em um cisma em Antioquia e encerrou-o ao exortar o Concílio de Cesaréia a reconhecer como bispo Flaviano em vez de Evágrio. Embora comemorado como santo em séculos mais primitivos, seu nome foi omitido da primeira edição do Martirólogo romano por causa de seus conflitos pessoais com S. Jerônimo, expulso de Roma graças a sua anuência, e com S. Paulino de Nola, que se queixou da altivez do papa. Comemoração: 26 de novembro. 

Anastácio I

Mais conhecido pela condenação do grande teólogo do século III, Orígenes de quem ele nem sequer conhecia escritos, Anastácio foi também pai de seu sucessor, Inocêncio I. Ambos achavam Anastácio mais indulgente que Sirício com a prática do ascetismo estrito na Igreja. Jerônimo até afirmou que o pontificado de Anastácio foi abreviado porque Roma não merecia um bispo tão admirável. 

Inocêncio I - 22 de dezembro de 401 - 12 de março de 417. 

    Um dos mais ferrenhos defensores, na Igreja primitiva, das prerrogativas da Sé Apostólica em questões de doutrina e disciplina eclesiástica, Inocêncio I era, na verdade, filho de Anastácio I. É o primeiro caso de um filho suceder ao pai no pontificado. Seguiu a prática inusitada do papa Sirício de publicar decretais no estilo imperial. Estabeleceu leis para igrejas, a respeito do cânon da missa, ou oração eucarística, do sacramento da penitência, do crisma ou confirmação e do cânon da Sagrada Escritura. Também salientou que os bispos deviam reconhecer Roma como tribunal de apelação, ao qual tinham de encaminhar todas as "causas mais importantes". As relações do papa Inocêncio com a Igreja do Oriente não eram boas, visto que houveram alguns fatos desagradáveis: São João Crisóstomo foi deposto como bispo de Constantinopla e exilado. Jerusalém foi saqueada por bandidos e os orientais nada fizeram como prevenção contra esta atitude. Enfrentou uma tensão de invasão dos bárbaros no meio do seu pontificado. Comemoração: 28 de julho. 



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