Conhecido como Clemente de Roma, ele foi o terceiro sucessor de Pedro. A carta I Clemente, o mais importante documento cristão do século I fora do Novo Testamento, é de provável autoria sua. Esta carta foi enviada por volta de 96 pela Igreja de Roma à Igreja de Corinto, com instruções aos coríntios para reintegrarem os anciãos que haviam sido depostos e para exilar os jovens que instigaram a rebelião. É significativo que Clemente não apresentasse justificação para intervir nos assuntos pastorais da igreja coríntia, mas também não apelasse a nenhum privilégio romano. O caráter retórico da carta talvez indique que Clemente sabia que não possuía a autoridade reivindicada e, por isso, tinha de se apoiar em persuasão e exortação. (p.38-39)
A forma da intervenção de Clemente parece seguir o modelo das relações da capital imperial de Roma com as províncias exteriores. De acordo com a prática do governo imperial, Clemente enviou com a carta três testemunhas para observarem e relatarem a restauração da paz. Louva o exército romano como modelo de obediência e exorta os cristãos a ser igualmente "obedientes... a nossos soberanos e governantes na terra", a quem Deus concedeu a supremacia. (p.39)
Há uma tradição não-comprovada, porém atestada por Tertuliano (c. 225) e Jerônimo (c. 420), de que Clemente foi sagrado pelo próprio S. Pedro e como seu sucessor imediato. Se isso fosse verdade, Lino (c. 66-78) e Anacleto (c.79-c. 91) teriam de ser removidos ou reagrupados na lista de papas. Escritores dos séculos III e IV como Orígenes (254), Eusébio de Cesaréia (c.339) e Jerônimo consideraram-no o Clemente mencionado por Paulo como um dos colaboradores que "lutaram" com ele "pelo Evangelho" e "cujos nomes figuram no livro da vida" (Fl 4,3), uma espécie de registro do povo eleito de Deus (Ex 32, 32-33; Sl 69, 29; 139,16).
A I Oração Eucarística menciona Clemente entre Cleto e Sisto I. Comemoração: 23 de novembro. (p.40)
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