sexta-feira, 2 de junho de 2023

Lino, S. c. 66-78 (67-76 na lista oficial do Vaticano).

         Como foi só no fim do século II ou início do II que a tradição católica veio a considerar Pedro o primeiro bispo de Roma, nas listas de sucessão mais antigas Lino, não Pedro, consta como o primeiro papa. Muito pouco se sabe sobre Lino. Irineu de Lião (+ c. 200) e o historiador Eusébio de Cesaréia ( c. 339) identificam-no como o companheiro de Paulo que enviou saudações de Roma a Timóteo em Éfeso (2Tm 4,21), mas hoje os biblistas hesitam em fazê-lo. Fontes primitivas, inclusive Eusébio, afirmam que Lino ficou no pontificado cerca de doze anos, mas não estão seguros sobre as datas exatas ou sobre que função pastoral e autoridade exerceu. Devemos lembrar que a estrutura monoepiscopal do governo da Igreja ainda não existia em Roma nessa época. E nem havia um Colégio de Cardeais com a incumbência de eleger um novo papa. Durante quase todo o primeiro milênio cristão, o papa era eleito pelo clero e pelo povo de Roma, já que seu papel imediato e primordial era o bispo de Roma. 

            Não há provas para confirmar nem a lenda de que Lino foi martirizado e enterrado na colina do Vaticano perto de São Pedro, nem a tradição de que, em conformidade com  1Cor11,1-16, ele decretou que as mulheres mantivessem a cabeça coberta dentro da igreja. Seu nome encontra-se depois dos de Pedro e Paulo no antigo cânon da missa. Na I Oração Eucarística atual, seu nome segue-se aos dos doze apóstolos, mas o seu e os nomes de outros papas primitivos costumam ser citados entre colchetes e em tipo menor para designar o caráter opcional dessa parte da oração eucarística. 

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