domingo, 4 de junho de 2023

11º Aniceto; 12º Sotero; 13º Eleutério; 14º Vítor I - Livro: Os Papas: os pontífices de são Pedro a João Paulo II

 11º Aniceto - sírio 155-166 (155-166 na lista oficial do Vaticano)

O 10º sucessor de Pedro foi bispo de Roma no período em que a cidade estava se tornando centro florescente de atividade cristã e atraía algumas das principais figuras da Igreja primitiva, inclusive o grande erudito sírio antiagnóstico, Hegesipo e Justino Mártir. Embora o Liber Pontificalis relate que Aniceto proibiu os clérigos de usar cabelo comprido, talvez ele seja mais bem-lembrado por suas discussões sérias porém amistosas com uma das figuras mais reverenciadas da Igreja primitiva, Policarpo, bispo de Esmirna, que fora discípulo de João Evangelista. Já com mais de 80 anos, Policarpo veio a Roma para exortar o papa a adotar a prática litúrgica comum na Ásia Menor de observar a festa da Páscoa cristã, no dia 14 do mês judaico de Nisan, independentemente do dia da semana em que caísse. Por preferirem o dia 14 de Nisan, esses cristãos eram conhecidos como quatordecimanos. Roma não celebrava nenhuma festa especial de Páscoa. A Igreja considerava todo domingo uma celebração da Ressurreição. Aniceto negou o pedido de Policarpo para que Roma harmonizasse sua prática com as das igrejas da Ásia Menor e insistiu que se sentia preso ao costume, seguido por seus predecessores, de celebrar a Ressurreição todos os domingos. Separaram-se em paz, depois de uma Missa presidida por Policarpo a convite de Aniceto. Foi talvez Aniceto quem ergueu na colina do Vaticano um santuário em memória de S. Pedro, conhecido dos visitantes na virada do século. Comemoração: 17 de abril. 

12º Sotero - 166-174 (166-175 na lista oficial do Vaticano) 

Foi o 11º sucessor de Pedro. Seu progresso mais significativo foi a introdução da Páscoa como festa litúrgica anual em Roma, pois até então a Igreja romana não tinha uma festa de Páscoa independente, mas, em vez disso, considerava todo domingo uma celebração da Ressurreição. O historiador Eusébio de Cesaréia preservou fragmentos de uma carta que Dionísio, bispo de Corinto, escreveu a Sotero para acusar o recebimento da carta do papa à comunidade coríntia e prometer que ela seria lida com regularidade nas assembleias da Igreja coríntia. Com base em outras cartas escritas por Dionísio, os historiadores modernos especulam que talvez Sotero expressasse sua desaprovação de certa frouxidão moral na comunidade coríntia, em especial com respeito à conduta sexual e à reintegração indulgente demais dos penitentes à comunhão com a Igreja, independentemente de seus pecados. A resposta subserviente de Dionísio talvez tivesse o intuito de acalmar os ânimos entre Roma e Corinto. O Liber Pontificalis relata que Sotero proibiu os monges não-ordenados de tocar as toalhas do altar ou oferecer incenso na igreja. Comemoração: 22 de abril. 

13º Eleutério - grego 174-189 (175-189 na lista oficial do Vaticano) 

12º sucessor de Pedro. Serviu como diácono do papa Aniceto. Recebeu a visita de Irineu de Lião com uma carta que expunha opiniões sobre a heresia do montanismo. Contudo Eleutério não percebeu o perigo do montanismo e não condenou as afirmações da respectiva heresia daquele momento. Eleutério é mencionado pela primeira vez como mártir no martirólogo pouco confiável por são Ado de Vienne. Comemoração: 26 de maio. 

14º Vitor I, africano, 189-198. 

Primeiro papa africano, 13º sucessor de Pedro. Ficou conhecido por sua firme solução da controvérsia sobre a celebração da Páscoa. Por insistência sua, foram realizados sínodos em Roma e em outros centros da Gália até a Mesopotâmia. Vitor excomungou o grupo dos quatrodecimanos e, consequentemente provocou uma onda de protesto. Também excomungou Teodoto de Bizâncio, chefe de um grupo de adocianistas que ensinavam que Jesus não era o verdadeiro Filho de Deus, mas só seu filho "adotivo", e destituiu Florino do sacerdócio por defender doutrinas gnósticas. Ao que se sabe, foi também o primeiro papa a ter relações com a casa imperial, dando à concumbina do imperador, ela própria cristã, uma lista de cristãos condenados às minas da Sardenha e, assim, assegurando que gossem libertados. Comemoração: 28 de julho. 

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